Publicado por: blogdamariazinha | 21/11/2012

Brasil para a Argentina: eu sou você amanhã?

Essa foi a propaganda que deu origem ao tal efeito Orloff ou eu sou você amanhã. Estaremos nós traçando um efeito Orloff com o caminho econômico que a Argentina tomou?

O importante artigo do economista Alexandre Schwartsman no jornal A Tribuna de hoje (página 34), completado – mesmo que de maneira menos precisa do ponto de vista técnico – pela matéria sobre a greve geral em Buenos Aires (página 46) (supostamente seria uma greve nacional, mas não haviam ainda informações para além da capital) – me fizeram pensar no tal “efeito Orloff” (eu sou você amanhã – de uma série de propagandas da bebida, feitas na década de 1980).

A esse artigo e matéria citadas aumentou a minha preocupação a ler a matéria sobre o fato de que “União não vai cumprir meta fiscal este ano”, também no jornal A Tribuna (página 29).

O fato é que o Brasil, tal qual fez a Argentina na década passada, parece apostar que deixar de lado o tripé que tem sustentado a nossa estabilidade econômica – superávit fiscal, controle da inflação (sistema de metas) e câmbio flutuante – será o nosso passaporte para a manutenção e, até mesmo, a elevação dos índices de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Aqui no Brasil, por enquanto, os heterodoxos, que já produziram tantos fracassos (basta lembrar dos Planos Cruzado I e II, do Plano Bresser e dos Planos Collor I e II), só não falam, em público ao menos, em abandonar o câmbio flutuante, mas estão querendo – novamente – reinventar a roda para uma era de “prosperidade fabulosa”.

Infelizmente, como destaca o competente economista Schwartsman em seu artigo, esses mesmos pensamentos heterodoxos colocados em prática na nossa vizinha Argentina estão produzindo exatamente o efeito contrário: desacelaração do crescimento. Apesar de terem controlado o câmbio, dilapidado o esforço fiscal e falsificado índices inflacionários.

Mais uma vez é bom lembrar que dinheiro não nasce em árvore, demanda esforço para a sua criação. Corremos o risco – a continuarmos nessa toada irresponsável, em prol de um projeto de poder apenas – de nos tornarmos “amanhã” uma nova Argentina. E isso tudo sem nem mesmo tomar Orloff.


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