Publicado por: blogdamariazinha | 20/09/2012

Vamos aceitar censura prévia por causa do fundamentalismo?

Não será com sangue nas mãos que os críticos de filmes, charges, reportagens e outras atividades, conseguirão atingir os seus objetivos. Abaixo a violência, abaixo a censura.

Uma das grandes conquistas da humanidade no seu processo de desenvolvimento político é a liberdade de expressão. Isso precisa, sempre, ser preservado. Vejo com grande preocupação todos os países do mundo curvando-se à violência e à truculência de muçulmanos mundo afora contra o filme A inocência dos muçulmanos ou contra charges publicadas aqui ou ali,

Ao longo do tempo já tivemos uma série de regimes políticos totalitários – de esquerda e direita, autoritários – também de esquerda e direita, que buscaram se garantir no poder por meio do controle da imprensa.

Ainda hoje temos uma série de países no mundo que fazem isso. Podemos lembrar de Cuba, da Coreia do Norte, do Irã, da Arábia Saudita, da Venezuela e de tantos outros por aí. Mesmo aqui no Brasil volta e meia o pessoal do Partido dos Trabalhadores (PT) fala em controle social da mídia em criação de conselho disso e daquilo, sem nunca explicar bem o que se pretende, mas com o intuito de tutelar a mídia.

Como disse Thomas Jefferson “se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último”. Concordo plenamente com ele e isso vale não só para os jornais, mas também para a atividade acadêmica, artística, cultural, penso eu.

Evidente que por vezes existem excessos, existem casos de falta de ética, de mistificação, de desinformação. Lembremos, por exemplo, daquele caso da escola de São Paulo da década de 1990 onde seus donos foram injusta e apressadamente acusados e “condenados” por vários setores da imprensa e da sociedade. Esses eventuais excessos, no entanto, devem ser tratados na Justiça e buscando, sempre, mecanismos de aperfeiçoamento profissional dos jornalistas e dos jornais, nunca, penso eu, por meio da censura.

Falo disso pois vejo uma tendência de aceitarmos algum tipo de restrição, de autocensura, ao trabalho livre de jornalistas, cartunistas e outros âmbitos das artes e culturas para não se ofender sensibilidades políticas e religiosas. Como está acontecendo, agora, com as manifestações nos países muçulmanos.

Insisto, sou pessoa religiosa, cristã, leitora da Bíblia e defensora da liberdade religiosa. Isso, no entanto, não me pode fazer aceitar restrições a liberdade dos outros em criticarem as religiões. Quem se sentir ofendido deve pedir reparações na Justiça ou não assistir o filme ou não comprar o livro ou não ler o jornal ou protestar pacificamente e por aí vai. Nunca, repito e enfatizo, nunca, partir para violência física contra os contrários.


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