Publicado por: blogdamariazinha | 11/07/2012

Planos de Saúde: uma crise em construção que só agora a ANS parece perceber

A crise no setor de saúde é grave, afeta tanto o setor público quanto o privado. Será que a ANS vai fazer algo ou só constatando os problemas e suspendendo planos?

A Agência nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou ontem a lista de 37 operadoras e de 268 planos que foram impedidos de serem comercializados. Aqui no Espírito Santo são 4 operadoras e 14 planos. Veja a lista completa no link: http://www.ans.gov.br/index.php/planos-de-saude-e-operadoras/contratacao-e-troca-de-plano/1629-planos-de-saude-suspensos

É uma medida importante, porém pequena e talvez um pouco tarde. Como diz um amigo, entre otimista e irônico, “antes tarde que mais tarde”.

O setor de saúde suplementar teve uma grande expansão nos últimos anos, estimulada pelo aumento de renda e, principalmente, pela oferta de planos com preços módicos. Serão eles sustentáveis? Nem sempre é o que parece.

Muitas vezes o objetivo é de apenas reduzir a pressão sobre o sistema público de saúde, tentando, por vias transversas, “melhorar” o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Temos nas mãos, ao meu juízo, uma bomba relógio. Inúmeros planos, conforme ouvi especialista, que não lembro o nome, falando na Rádio CBN, são aquilo que se chama de “falso coletivo”. Esses planos não têm regulamentação de limite de aumento de preços e na medida em que a população envelhece e que novos e caros tratamentos, exames e remédios vão sendo disponibilizados o aumento dos custos tende a ser exponencial.

Como não temos tido ampliação de recursos significativa para a saúde, o governo de Dilma, apesar dos discursos de campanha, se nega a ampliar o repasse de recursos vinculando-os ao Produto Interno Bruto (PIB), temos aí um estrangulamento que irá – mais tempo, menos tempo – se revelar de forma ainda mais dramática do que hoje.

Inúmeros planos hoje, de empresas reconhecidas no mercado, já sofrem com descredenciamento de médicos e outros profissionais, de demoras insuportáveis para agendamento de consultas e exames mais especializados e por aí vai.

Precisamos, urgentemente, realizar uma ampla discussão sobre saúde, seu financiamento, complementaridades entre o setor público e o privado, regulação de planos de todos os tipos, atenção primária e preventiva e muito mais. O responsável por isso deveria ser o governo federal, mas esse só se preocupa, ao que parece, com as eleições de 2012, as eleições de 2014 e com o que delas derivam: cargos, dinheiro e poder, não necessariamente nessa ordem.

Enquanto isso os sistemas de saúde público e privado vão sofrendo de estragulamentos gerais. Um hora faltará oxigênio e a coisa explode. Será que iremos esperar por isso?


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