Publicado por: blogdamariazinha | 01/02/2012

Dois artigos que foram “na mosca”

É desse tipo de gente que Gaspari e Jabor nos falam em seus artigos.

Li ontem, dia 31 de janeiro, o artigo “Os canalhas nos ensinam mais”, de autoria de Arnaldo Jabor, e hoje, o artigo “A banalidade da tunga”, de Elio Gaspari, os dois publicados no jornal A Gazeta. Ambos foram, ao meu juízo, perfeitos nas análises que fizeram do problema dos malfeitos, não custa “homenagear” a presidente Dilma pela sua parvoíce calculada e nefasta para o uso de palavras, jogos de palavra e expressões (como fez agora em Cuba com a questão dos direitos humanos), que ocorrem em todo o país.

São estilos diferentes, são verves mais irônicas, do Gaspari, ou mais incisivas e diretas do Jabor, mas ambas cumpriram – e cumprem – um ótimo papel, especialmente nesses artigos, penso eu.

O artigo de Gaspari é direcionado para o problema que que afeta o Judiciário, a banalidade da tunga. Como Gaspari muito bem coloca “em 2000, o Supremo Tribunal Federal estendeu o auxílio-moradia aos desembargadores (que vivem nas capitais e delas não são transferidos). Com o direito reconhecido, os doutores tinham direito aos atrasados”. Um evidente tunga, para usar a expressão do título celebrizada por Gaspari, que é complementada, como bem destacado pelo articulista, com o fato de que suas excelências jurídicas, diferente dos trabalhadores comuns, não enfrentam a fila dos precatórios para receber esses absurdos “atrasados”. É o descaramento total, a falta de pudor, de ética, de vergonha na cara, dos mais comezinhos princípios de honradez. Uma vergonha, no dizer de Gaspari, “na mais perfeita legalidade”.

Jabour, por sua vez, fala da calhordice implantada como norma no jogo “da política de sujas alianças que Lula nos deixou”, “qualquer gaveta que se abra (…) faz saltar um novo escândalo da pesada”, “as roubalheiras não são mais segredos de gabinetes ou de cafezinhos”, assim, nessa batida indignada e denunciadora, Jabor nos mostra a podridão desse sistema de poder instalado que distribui migalhas ao povo para se perpetuar.

Para mim é claro que os problemas apontados pelos dois – Gaspari e Jabor – são interligados e contribuem para a perpetuação, seja pela impunidade que estimulam, seja pela complacência que geram, seja pela conivência que implantam. São artigos, penso eu, que devem ser lidos por todos, distribuídos amplamente para ver se conseguimos acordar da letargia.


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