Publicado por: blogdamariazinha | 23/09/2011

O Brasil e a crise III – Artigo de Luiz Paulo Vellozo Lucas

Mais um da série de artigos de Luiz Paulo onde ele analisa as impliações da crise para o Brasil e como tem o governo respondido.

O Brasil e a crise III*
* Publicado em A Gazeta do dia 23/09/2011
Os bancos mudaram de lado no mercado futuro e o dólar começou a subir. Já subiu mais de 12% em setembro e passou a liderar os fatores de incerteza que influenciam as decisões das empresas e das famílias. Todos os analistas apostam que a recessão mundial e suas consequências no Brasil (quer dizer, as más notícias) proporcionaram um cenário favorável ao controle da inflação. Para dizer que a inflação está sob controle, além da previsão de desaquecimento da economia global, o governo acena com um plano de ajuste fiscal rigoroso para dar espaço à redução da taxa de juros.

A conta fecha de um jeito ou de outro. Se houver ajuste fiscal e desaquecimento da economia, os juros poderão cair até atingirem patamares normais sem que a inflação desorganize o país. Se, como disse Gustavo Franco no “Valor”, a “cavalaria do ajuste fiscal” não vier apoiar o Banco Central, a inflação fecha a conta da pior maneira, voltando ao patamar de dois dígitos, a exemplo do ocorrido na Argentina.

As agências de viagens pedem para os clientes fecharem logo a programação das férias “antes que o dólar suba mais”. Ou então, “calma! É apenas um soluço, logo voltará ao patamar de 1,65/1,70”, dizem os otimistas. O fato é que a volatilidade do câmbio e das expectativas de curto prazo está de volta.

Vejam a velocidade deste movimento e seu impacto nos principais produtos exportáveis. Para valorizar a moeda nacional o movimento é lento, mas para desvalorizar foi brusco. Passagens aéreas, açúcar, carnes, leite, arroz e etanol lideram as altas de preços, num mês em que a inflação pode chegar a 7,33%, anualizada. Foi o risco que o governo correu baixando os juros na contramão das expectativas do mercado. Eles engoliram em seco, realizaram algumas perdas e mudaram de posição, passando a aceitar a queda de juros e a apostar na alta do dólar. Profecia autocumprida.

Junto da decisão “ousada e arriscada”, nas palavras do prof. Luiz Roberto Cunha, de cortar juros neste momento, que teve pelo menos o respeito de “gregos e troianos”, o governo lança mão de um artifício tão antigo quanto ineficaz. O aumento do IPI para automóveis importados de marcas que não possuam fábricas no Brasil ou tenham menos de 65% de índice de nacionalização, ou de “conteúdo nacional”.

A única coisa certa é que TODOS os automóveis subirão de preço, até que, depois de processado na Organização Mundial do Comércio, o Brasil seja forçado a rever a medida que terá trazido apenas mais inflação e mais confusão no setor automotivo nacional e nenhum benefício.

Que bobagem!

Luiz Paulo Vellozo Lucas. Engenheiro de produção e ex-prefeito de Vitória


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