Publicado por: blogdamariazinha | 19/09/2011

Estante Virtual da Mariazinha: Guia politicamente incorreto da América Latina – Leandro Narloch e Duda Teixeira (2011)

Ainda não li esse novo livro do jornalista Leandro Narloch, agora em parceria com Duda Teixeira. Com certeza o farei. A tomar o trabalho bem desenvolvido no primeiro volume, de crítica a mitológicos fatos e personagens de nossa história imagino que esse também deva ser um trabalho interessante. Pelo que já li, e podemos ver na capa, estarão presentes nas páginas personagens latinos da estirpe de Che Guevara, Perón, Allende, Bolívar e tantos outros. Com sua pesquisa de boas fontes e seu discurso afiado podemos, com toda certeza, esperar novas demolições.

Autor: Comunicação Millenium – http://www.imil.org.br/divulgacao/livros-indicados/o-guia-politicamente-incorreto-da-amrica-latina/
O guia politicamente incorreto da América Latina
8 de agosto de 2011
O “Guia politicamente incorreto da história da América Latina” ataca figuras sagradas da região e desconstrói velhos discursos que marcam a história do continente. Os principais alvos do livro são Che Guevara, Juan e Evita Perón, Simón Bolívar, Salvador Allende, Pancho Villa, os incas, os astecas, os maias e os rebeldes negros que protagonizaram a Revolução do Haiti.
O objetivo, mais uma vez, é expor os erros cometidos pelos heróis da bondade e as virtudes daqueles considerados vilões. “Não há aqui destaque para veias abertas do continente, mas para feridas devidamente tratadas e curadas com a ajuda de grandes potências”, diz a apresentação do livro.
Para cumprir a missão, o autor e especialista do Instituto Millenium, Leandro Narloch, se aliou ao repórter Duda Teixeira, que há cinco anos atravessa fronteiras fazendo reportagens e entrevistas com os principais líderes políticos da América Latina.
O contato entre índios e europeus continua sendo um dos principais assuntos da série. Os dois autores mostram que boa parte dos povos indígenas, tanto nos Andes quanto no México, comemorou a chegada dos conquistadores espanhóis e a vitória deles sobre os imperadores nativos. Nos Andes, os incas impunham um império que levava povos andinos a fazer migrações forçadas e a aceitar símbolos religiosos estrangeiros. No México, os astecas criaram um estado de horror ao atacar povos vizinhos para conseguir vítimas de seus rituais de sacrifício. “É difícil encontrar, entre todos os continentes, entre todas as épocas, uma civilização mais obcecada por cerimônias de morte que os astecas”, afirmam Leandro Narloch e Duda Teixeira.
Para contar histórias ocultas da escravidão negra na América Latina, os autores se concentraram na Revolução do Haiti, de 1791, a única revolta escrava vitoriosa na América. Os jornalistas mostram que os principais líderes da revolução eram, eles próprios, escravistas. Atacavam grupos de negros para vendê-los como escravos em troca de pólvora e de dinheiro, aliaram-se a monarquias escravistas e reavivaram a escravidão quando tomaram o poder.
Mais que apenas acusar esses personagens, o livro traz análises do modo de pensar e do contexto de cada época. O objetivo é explicar por que rebeldes e heróis tomaram atitudes que parecem tão estranhas aos olhos de hoje.
O maior destaque do livro foi reservado a líderes socialistas tão admirados hoje em dia, como Che Guevara, Fidel Castro e Salvador Allende. Os autores exploram uma grande contradição envolvendo o guerrilheiro argentino e seus fãs. “Che lutou contra as bandeiras que os seus admiradores mais defendem”, afirmam. O livro descreve as execuções sem julgamento promovidas pelo guerrilheiro em Cuba, a perseguição a jovens roqueiros, hippies e gays, a vontade de Che de começar uma guerra nuclear e suas trapalhadas econômicas que tanto mal fariam aos cubanos. “Quem nutre sentimentos politicamente corretos em favor da paz, dos direitos humanos e do bem-estar dos mais pobres precisa manter o guarda-roupa o mais longe possível do rosto de Che Guevara.”
Os leitores ficarão ainda mais surpresos com o capítulo sobre Salvador Allende e o golpe que o derrubou do governo do Chile, em 1973. Leandro Narloch e Duda Teixeira afirmam que, como Allende foi substituído pela cruel ditadura de Augusto Pinochet, acabou ganhando a aura de defensor heróico da democracia e da liberdade. Os autores mostram, no entanto, como o governo de Allende criou um caos econômico e institucional no Chile, a ponto de o Congresso do país e os órgãos máximos da Justiça declararem a ilegalidade daquela administração. Ironicamente, quem cumpriu a ordem de derrubar o presidente foi Pinochet, um general que havia sido promovido pelo próprio Allende um ano antes, contente com a eficiência do militar ao atacar manifestantes e grevistas.
“Sem a sua ajuda e a do New York Times, a revolução em Cuba jamais teria acontecido.” Essa frase, por mais inusitada que possa parecer, foi pronunciada por Fidel Castro, apontando para a foto de Herbert Matthews, jornalista americano que o entrevistou e afirmou em sua matéria que o programa do “señor Castro” era “radical, democrático e, portanto, anticomunista”. A entrevista transformou o revolucionário em herói nacional, eliminando qualquer outro grupo que se opusesse à sua luta – e Matthews, tempos depois, quando o ditador se assumiu publicamente como leninista-marxista, virou alvo da chacota dos colegas.
O que dizer então da origem do termo marijuana, usado para designar a maconha? E quem poderia adivinhar que Pancho Villa, figura histórica do México, dependeria tanto dela para fazer sua revolução? Os homens do bando de Villa gostavam de usar a erva para relaxar depois das batalhas. Já o termo marijuana foi criado intencionalmente para fazer referência aos mexicanos. Depois de os homens de Villa tomarem a fazenda do magnata da imprensa americana William Randolph Hearst, ele usou a página 20 de seus jornais para a represália. Como as palavras cannabis e hemp estavam proibidas, Hearst deu início a uma companha contra uma tal de marijuana. Até hoje a maconha nos Estados Unidos é relacionada aos imigrantes que cruzam a fronteira.
A rixa no futebol dos argentinos com os brasileiros, muitas vezes, é creditada pelos jornalistas brasileiros à arrogância dos hermanos. Mas como não ser arrogante se em 1920, Buenos Aires já era a maior cidade da América Latina e a terceira do continente, atrás apenas de Nova York e Chicago? Para completar, em termos de renda per capita e reservas de ouro, o país ficava à frente dos Estados Unidos, da Inglaterra e só um pouquinho atrás da França. Outros tempos. A realidade é que ainda hoje a Argentina luta para consertar os resultados das ações inconsequentes de um certo presidente Juan Perón.
Ao desvendar a obra, os leitores terão a sensação de que quase tudo o que aprenderam sobre história da América Latina estava errado.


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