Publicado por: blogdamariazinha | 12/09/2011

Que ES é esse onde estamos vivendo?

O síndico, Hartung Gomes, que gosta de parecer um bonequinho simpático, mostrou toda a sua maldade e agora deu um bilhete para Casagrande Política Pequena, e mostrou quem manda. O PSB também vergou. Uma pena. Uma vergonha.

Acabou o suspense. O bambu vergou com um sopro, não precisou nem um vendaval. O Partido Socialista Brasileiro (PSB-ES), e, claro, o governador Renato “Política Pequena” Casagrande, cederam à chantagem e entregaram o futuro político de seu governo ao síndico que agora, sabemos, não é mesmo o senhor Casagrande, apesar do título de governador que ostenta.

Segundo comunicado divulgado na tarde de hoje no site do PSB numa tal “Nota de Esclarecimento”, que – diga-se – nada esclarece, “A Comissão Executiva Estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB/ES), reunida nesta data (12/09), em respeito à liderança do ex-prefeito Max Filho, decidiu pela não filiação do mesmo, por ausência do consenso necessário para tal ato. Vitória, 12 de setembro de 2011 – Comissão Executiva Estadual do PSB/ES”.

Podemos discordar do jeito de governar de Max Filho, mas estão buscando exterminá-lo pelas qualidades que tem, não pelos seus eventuais defeitos, que afinal temos todos. É por ser franco, ser alguém que bate de frente, que é reconhecidamente honesto, que não aceita qualquer composição, que buscam o seu fim político.

O discurso abonador dessa política de “caça as bruxas”, nesse momento direcionada para Max Filho, mas que já aponta suas baterias para Luiz Paulo, Cesar Colnago, Iriny Lopes e Juninho, vice-prefeito de Cariacica, entre outros, é sustentado pela bela palavra GOVERNABILIDADE. Bela, mas vazia de sentido para a política que interessa aos cidadãos. Bela, mas eivada de sentido de cooptação a qualquer custo. Bela, mas sustentada no uso do poder público para maquinações políticas de baixíssima qualidade.

Pela governabilidade tudo é feito, tudo é justificado, tudo é justificável. Confundem-se, propositalmente, meios e fins. Para os que defendem, a ferro e a fogo, a governabilidade, “tudo é lindo, tudo é maravilhoso”, como já disse Belchior em uma música.

Para a política democrática, no entanto, a tal governabilidade, especialmente em terras capixabas, serve como um narcótico que anestesia consciências e leva pessoas ao desatino, as impedindo de – apesar das reclamações em âmbito privado – fazerem política, de disputarem, a partir de ideias e proposições concretas, o poder, ficam apenas com as migalhas que o síndico, manipulando a todos com a governabilidade, lhes concede.

Para a política republicana, tão citada por aqueles mesmo que mais a mancham, a governabilidade serve como uma nazista política de extermínio das legítimas lideranças políticas. Ou se enquadram no sistema e no esquema, ou serão varridas para fora do tatame, do jogo.

Política bruta, brutal, a governabilidade – utilizando-se da chantagem, de matérias plantadas em jornais, de boatos e recados, da força do dinheiro e das estruturas do poder, político e empresarial, impede o debate democrático e constrói – sem a participação, na verdade contra a participação, dos cidadãos – os arranjos de poder que desejam se manter no poder a qualquer custo, locupletando-se nababescamente.

Quase todos esses que reclamam desse jeito de fazer política, da tal governabilidade imposta pelo síndico – vamos claramente nomeá-lo: o senhor Hartung Gomes – acabam, muitas vezes, cedendo. Transformando a política num tumular silêncio, em algo sem vida, sem alma, sem voz, em alguma coisa sem significação real para as pessoas, sem sentido para a sua qualidade de vida, para seu presente e seu futuro.

Para terminar – apesar do espanto com que acompanho a situação, tendo eu mais de cinquenta anos de vida pública nesse Espírito Santo, nunca ter assistido nada igual – me socorro (é mesmo um pedido de socorro aos cidadãos e pessoas de bem nesse estado) me amparo, em Maiakóvski, Brecht e Martin Niemöller, que, com diferentes palavras, mas com sentido inequívoco, expressam esse sentimento de que a floresta não pode a qualquer pequeno sopro se dobrar, que a força da política de qualidade e com projeto, ao meu juízo sempre necessária, mostra a necessidade que temos de reagir:

DESPERTAR É PRECISO – VLADIMIR MAIAKÓVISKI
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.
Fonte: http://pensador.uol.com.br/na_primeira_noite_eles_se_aproximam/

INTERTEXTO – BERTOLD BRECHT
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Fonte: http://projetos.unioeste.br/projetos/leitura/arquivos/oficinas/texto08.pdf

UM DIA LEVARAM MEU VIZINHO QUE…, MARTIN NIEMÖLLER, antinazista alemão
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
Meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…
Fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/NzMyNzYz/+%22Um+dia+vieram+e+levaram+meu+vizinho+que+era+judeu%22&cd=4&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br


Responses

  1. Dona Mariazinha, aqui quem fala é Sr. Ponciano Schwab Scarpino, sobrinho de Afonso Schwab.
    Quero que a senhora faça uma pergunta ao Presidente do Senado, o Sr. José Sarney. Que não existe momento tão importante como esse para o mesmo devolver o empréstimo compulsório que ele usurpou nas vendas de carros em 1987 (o famigerado empréstimo compulsório).


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