Publicado por: blogdamariazinha | 12/09/2011

Dilma e a “gente de bem” de sua base

Três senadores gente de bem, segundo a definição presidencial, que compõem a base aliada do governo.

Realmente eu tentei. Tentei por ela ser mulher. Tentei por ela ter um estilo forte e ousado. Tentei por acreditar até que o seu papel era esquentar o banco para o Lula tentar voltar em 2014, não tendo ela, portanto, compromissos políticos de interesse eleitoral. Tentei por que, apesar de titubear com o Palocci, ela foi relativamente dura com as demissões no Ministério dos Transportes.

Tentei acreditar que Dilma queria mesmo, mesmo, combater a corrupção que grassa nas estruturas de governo, do seu governo, que foi (ou será que ainda é?) o de Lula. Infelizmente não consigo mais nem tentar. Depois da entrevista que a presidente deu ao programa Fantástico de ontem não dá mais.

A primeira parte da entrevista foi dedicada a assuntos familiares e do Palácio da Alvorada, onde ela transcorreu. A segunda parte da entrevista, que ocorreu no gabinete da presidente no Palácio do Planalto, foi dedicada a mais a parte política, apesar de seus minutos iniciais ainda passarem por temas mais pessoais que de governo.

Foi nessa segunda parte, com duas frases especialmente, que perdi, de vez, a capacidade de acreditar na vontade da presidente Dilma Rousseff de fazer qualquer mudança no status quo político que ela encontrou. Para mim ficou claro que não podemos esperar qualquer alteração nessa construção política que é o seu governo, sustentado que é por espúrias relações.

Primeiro a presidente afirmou que “nós temos um relação de alto nível com a base”. Alto nível? Com pessoas como, por exemplo, o deputado Anthony Garotinho (deputado federal PR-RJ), que abertamente chantageou o Palácio no episódio Palocci? Com o deputado federal do PMDB-RJ, Eduardo Cunha, que a todo custo, inclusive de paralisação da Câmara, busca manter empregos no setor elétrico do governo? A lista é enorme. Esses servem, apenas, de exemplo.

Não satisfeita em apregoar publicamente uma inverdade como essa, a senhora Dilma Rousseff afirmou que “a minha base aliada é composta por gente de bem”. Ai é demais. Sarney? Collor? Renan Calheiros? Romero Jucá? Tantos outros mais, são, agora, pela definição presidencial, “gente de bem”.

Realmente nada mais consigo entender. Como pode uma presidente dar assim um cheque em branco para a sua base aliada. Qualquer pessoa mais ou menos informada nesse país sabe que, infelizmente, as relações que o Palácio do Planalto estabelece com a sua base aliada são, muitas vezes, não de alto nível, mas de pequenos cargos e verbas orçamentárias. Qualquer pessoa que acompanhe a política nacional sabe que na base aliada do governo existem inúmeras pessoas que por qualquer critério um pouco mais substantivo não podem de modo algum ser classificadas como “gente de bem”. Realmente Dilma, a entrevista foi no que concerne ao aspecto político, ao meu juízo, uma decepção.

Para quem quiser ver ou rever a entrevista aqui vão os links:

Parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=_mJsQLwg2eg

Parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=wYvnPYnwfaM


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