Publicado por: blogdamariazinha | 08/09/2011

Marchas contra a corrupção

Apoio, com toda minha energia, essas marchas contra a corrupção. Tenho, no entanto, algumas preocupações.

Fico muito feliz em ver os cidadãos brasileiros, mais uma vez, se mobilizando contra a corrupção. Esse foi o sentido da defesa da Lei da Ficha Limpa e, agora, de modo evidente com essas marchas que ocorreram em Brasília, a maior, ao que parece, e em outras cidades.

Importante perceber que os cidadãos começam a utilizar a Internet para interferir concretamente na política. Não só mandando e-mails ou algum tipo de corrente contra a corrupção, mas, nesse caso, para organizar manifestações.

Uma coisa que me preocupa, no entanto, foi sobre o afastamento desses movimentos da política. Me explico. Li ou ouvi, ontem ou hoje, são tantas as informações que recebemos que não lembro onde, que um grupo de filiados ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) foi afastado da manifestação de Brasília. Sinceramente, não concordo com esse tipo de coisa. Não sou do PSOL e, muitas vezes, discordo do que propõem, mas não podemos negar a filiados políticos a possibilidade de manifestar a sua indignação com a corrupção.

Nem todos os políticos são corruptos, nem todos concordam com a situação que vivenciamos. Quem quer fazer essa confusão na política brasileira, rebaixando todos os políticos à condição de corruptos, são os governistas, muitos deles, como vemos pelos sucessivos escândalos, envolvidos em problemas nesse campo.

Evidente que não seria aceitável que políticos como o senhor José Sarney, ou Romero Jucá, ou Renan Calheiros, ou Fernando Collor ou gente desse naipe participassem das manifestações. Poderíamos, no entanto, negar que pessoas como Pedro Simon (PMDB) ou Chico Alencar (PSOL) participassem desses atos? Não acho. São lutadores dessa causa.

Uma outra preocupação que tenho é sobre a falta de propostas concretas dessas manifestações contra a corrupção. Não basta mostrar indignação. A corrupção, para ser derrotada, precisa de ações de curto, médio e longo prazo, de ações que sejam tomadas pelos diversos poderes e órgãos, sozinhos e de forma integrada, que envolvam os cidadãos e que sejam constantemente atualizadas.

A indignação é um bom fermento, mas, se não avançar para se ter uma compreensão do problema que se quer tratar pode levar, rapidamente, essas pessoas, que tão entusiasticamente se dispuseram a sair de casa em um dia de feriado para protestar, a se decepcionarem. A linha que divide a indignação da decepção, nesse caso, ao que me parece, é muito tênue e não podemos deixar isso acontecer, seria tudo que os corruptos gostariam e teríamos longo prazo para conseguir, novamente, esse espírito indignado e mobilizador.


Responses

  1. Fizeram bem as pessoas do movimento ao não permitirem a participação de políticos na caminhada. SE abrem para uns teriam que permitir o ingresso de outros. Imaginem figuras como o Álvaro Dias, que nada fez na corrupção do governo FHC, imaginem o Alckmin e o Serra, parceiros permanentes de Kassab e Maluf, integrando a manifestação, seria mais um festival de hipocrisia. O Alckmin tem que contar também essa história do irmão denunciado por improbidade, antes foi o acumpunturista.
    O Simon, grita, dá show na Tribuna, mas nada acrescenta de efetivo. Por que ele não encampa uma luta pela aprovação de projetos e PEC consequentes, em vez de ficar nesse discurso genérico que não leva a nada? Não esse tal ficha limpa que, como se esperava, não deu em nada, mais uma vez, como a tal fidelidade partidária, pegará peixes miúdos. Aqui no Estado, em passado não muito distante, mudou-se de partidos o quanto se quis, e o que ocorreu com os alpinistas?
    Hoje, não, está proibido mudar de partido no Estado, defende a valoroza grande imprensa, defensora da ética de ocasião, seletiva.

  2. A CPMF em nada pesava no meu bolso, e com o bolo arrecadado, para quem não sabe, promovia-se uma distribuição de renda nas regiões menos favorecidas, que recebiam mais. Claro que isso nunca agradou a elite econômica paulista e mineira, por exemplo, incluindo a FIESP, que se farta como recurso públicos do sistema S (sesi, senai, sesc). Adib Jatene já sabia disse desde qdo. defendeu a sua criação. Por outro lado as propostas mais recentes praticamente não alcançariam cerca de 90% dos assalariados. Além do que, vimos no que deu a mentira da imprensa sobre a redução dos preços que derivaria do fim da contribuição. Que feio, heim!!!.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: