Publicado por: blogdamariazinha | 29/08/2011

Dez anos após, sou, com muito orgulho, associada à Transparência Capixaba

Essa é a nota que foi publicada na Coluna Plenário do dia 28 de agosto de 2011, ontem. A resposta está abaixo.

Li com certo espanto e um pouco de tristeza a nota intitulada “Dez anos após” que foi ontem, domingo, publicada na Coluna Plenário do jornal A Tribuna. Já se fazem mais de oito anos do ocorrido e o assunto volta, do nada, à tona. No entanto, como diz o ditado “quem está na chuva é pra se molhar”. Portanto, é importante esclarecer algo da nota. Vamos lá.

A nota começa com uma informação correta. Foi na casa em que morava no bairro da Glória que a Transparência Capixaba foi fundada.

As reuniões juntaram inicialmente os promotores de justiça Leonardo da Costa Barreto e Marcelo Zenkner (este já há alguns anos fora da Transparência Capixaba), o economista Luís Filipe Vellozo Nogueira de Sá, os médicos Sérgio Vellozo Lucas, meu filho, e Djalma Bermond, o advogado Michel Minassa Júnior e o historiador e professor Rafael Cláudio Simões, além, claro, da minha presença. Logo viria a se integrar o advogado Délio José Prates do Amaral.

Estava eu de saída do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCEES), por causa da famosa aposentadoria compulsória, chamada expulsória, que ocorre aos 70 anos, mas me sentia com muita força e disposição, ainda, para contribuir na luta contra a corrupção e em defesa da transparência pública. Assuntos que, devido minha presença no TCEES durante tantos anos, pensava, como ainda penso hoje, ter algum conhecimento para dar contribuições positivas no encaminhamento de proposta de solução.

A fundação da Transparência Capixaba, da qual sou associada (conforme pode se constatar no site da referida organização), com muito orgulho, foi, na verdade, no mês de novembro de 2001. As reuniões começaram no mês de outubro e, por sugestão do historiador Rafael Simões, escolheu-se a data de 15 de novembro com o intuito de simbolizar a ideia republicana presente na organização.

Depois acabei por me afastar da organização da entidade pois me decidi participar do processo eleitoral de 2002, no qual fui eleita deputada estadual, e, conforme entendimento meu, respeitado e apoiado pelos outros membros fundadores, não seria ético de minha parte querer aparecer como membro de uma organização de luta pela ética e a transparência pública, para, logo a seguir, disputar eleições.

Fui eleita e na Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo me tornei membro da Corregedoria. Diante da recusa de todos os outros parlamentares membros daquele órgão legislativo em assumir a relatoria do caso dos sete deputados acusados de receber recursos oriundos de suposta corrupção na casa na chamada “Era Gratz”, assumi eu a relatoria.

Na época meu relatório, como é fato sobejamente conhecido e público, sugeriu o arquivamento do processo contra os parlamentares. Ele foi aprovado na Corregedoria, mas a fama ficou comigo naqueles dias.

A Transparência Capixaba, sem conhecer exatamente os documentos que embasavam a denúncia, e que ao meu juízo, na época, eram insubsistentes, se pronunciou contrária a minha atitude. Tiveram, e foi justo que assim o fizessem, uma posição contrária ao meu relatório. Adotaram uma postura ético-política, enquanto a minha foi regimental-legalista.

Na época, claro, sou humana como todos, não me senti bem, fiquei entristecida e até um pouco magoada. Hoje, passados tantos anos, penso que deveria ter procurado aqueles jovens pelos quais sentia, como ainda sinto, imenso respeito e admiração, crescente, por sinal, pelo belíssimo trabalho que fazem, para lhes apresentar os problemas que enfrentava para propor qualquer outra alternativa que não o arquivamento.

Ainda durante meu mandato de deputada estadual procurei os membros da Transparência Capixaba e voltamos a nos comunicar corriqueiramente, trocando ideias e proposições. Foi deles, inclusive, a sugestão para um projeto de lei que apresentei, e foi aprovado na Casa, instituindo o dia 9 de dezembro, como o Dia Estadual de Luta Contra a Corrupção, que já é, por sinal, o Dia Internacional de Luta Contra a Corrupção.

Depois que acabou o meu mandato de deputada estadual, no início do ano de 2007 viajei para Portugal onde passei vários meses na maravilhosa companhia de meu esposo Laércio. Quando voltei imediatamente me reintegrei na lista de membros da Transparência Capixaba como uma simples associada.

Nessa condição, contribuindo mensalmente para a manutenção dessa brilhante organização, que sobrevive graças a contribuição de seus associados, sem receber recursos públicos ou privados, me mantenho até os dias de hoje. Recebo os informativos e muitas vezes em meu Blog faço questão de citar esses jovens que ainda lideram esse esforço no Espírito Santo. Participo de suas festas de fim de ano. Sempre próximas ao dia 9 de dezembro. Não foi por acaso que quando criei o “Troféu pra não dizer que não falei de flores”, que busca homenagear pessoas e organizações que se destacam no Espírito Santo, no Brasil e no mundo, foi a Transparência Capixaba a primeira homenageada. Evidente que as posições que assumo aqui no meu Blog em nada comprometem a Transparência Capixaba. Sou apenas uma associada. Nem me posiciono nas posturas públicas da Transparência Capixaba, quando das discussões internas na organização, para não pensarem que quero influenciar as suas posições por quaisquer interesses políticos.

Tenho imenso carinho por esses jovens que conheço a tantos anos e se destacam positivamente. Pelo promotor de justiça Leonardo da Costa Barreto, com sua postura independente e crítica, por Rafael Cláudio Simões, pela postura calma e didática de combate à corrupção que adota, pelo dinamismo e ação constante de Délio José Prates do Amaral, para citar apenas os que mais se destacam.

É sempre bom sermos questionados pelas coisas que fizemos ao longo de nossa vida pública. Surge, aqui e ali, a oportunidade para esclarecer as coisas e mostrar que apesar de entendimento diferente em um dado momento continuo a estar presente nessa luta tão intensamente desenvolvida pela Transparência Capixaba.

Com certeza ao longo da minha vida, como todos nós, ou quase todos nós, cometi alguns erros, mas olhando para trás nesses mais de 50 anos de vida pública, desde a condição de servidora pública até a condição de agente política, penso poder me orgulhar de ter feito mais coisas positivas do que negativas, de ter tentado mais acertar que errar, de ter me comportado com condições de nunca ter sofrido sequer uma ação na Justiça, nem uma sequer contra mim foi apresentada, seja por corrupção, seja por improbidade administrativa, seja por quaisquer dos crimes que denotariam comportamento irregular, improbo ou antiético. Acho que é um bom retrospecto.

Poderia, claro, ter feito mais. Lembro-me sempre, no entanto, que uma pessoa, não é, no serviço público, como na vida em sociedade de modo geral, apenas uma pessoa, mas, sim, essa pessoa e as condições que a cercam. Prefiro, ainda, pensar nas coisas que fiz, nas coisas que consegui.

Mesmo longe do poder, como quero mesmo permanecer, continuo a contar com o respeito e a admiração de muitas pessoas, incluindo, penso eu, esses lutadores da Transparência Capixaba. Isso muito me importa, isso, para mim, conta muito.

Lutei, e continuarei lutando, enquanto forças tiver, mesmo próxima aos 80 anos. Na minha condição de cidadã, antenada, como diriam os jovens, e preocupada com o presente e o futuro dos municípios do Espírito Santo, do nosso estado e do nosso país, estarei ainda por um bom tempo, presente, por meio do meu Blog, defendendo princípios, ideias e propostas. Eu os tenho. Assim, comprova, penso eu, minha longa caminhada.


Responses

  1. Querida Dna. Mariazinha, que bom poder ler um pouco sobre as tuas memórias. São retratos importantes da nossa recente história, que vai escrever com letras de ouro lavradas em pedra a tua presença. Pelos exemplos de competência, dedicação, sucesso e correção que ao longo dela a senhora nos legou. Parabéns. Continue a lutar e a nos brindar com os fatos que assistiu e protagonizou, e que tão saborosamente sabe nos contar.
    Beijão.
    Pierre

  2. Querida Mariazinha,

    atesto a veracidade dos fatos relativos à fundação da referida ONG, da qual me desliguei em razão de uma situação similar à sua…

    Se nem mesmo a TC dá oportunidade de contraditório e ampla defesa aos seus próprios integrantes antes de publicar suas notas, como aconteceu no seu caso e no meu, penso que ela não está legitimada a defender o Estado Democrático de Direito. A defesa das garantias fundamentais estabelecidas na Constituição, diga-se de passagem, constituíram a razão de ser da própria associação na sua origem.

    Grande abraço, MARCELO ZENKNER

  3. Prezada Mariazinha:

    Obrigado pela oportunidade de ter nos reunido na ONG. Viramos todos amigos e companheiros. Com os fatos narrados, você demonstrou ser uma pessoa grandiosa, que sabe reavaliar situações e fatos, chegando sempre um a bom termo, sem mágoa, rancor ou vaidade, indenpentende de quem tenha a real razão. Apesar de sua energia forte e de seu comportamento alegre e muito autêntico, vc sempre anda com o coração leve e o sorriso aberto, acolhendo ao final, todos que caminham na mesma luta, o que faz de mim, seu admirador.

    bjs.

    Leonardo da Costa Barreto

  4. Prezada Mariazinha,
    Faço minha as palavras do nosso sempre secretário-geral Leonardo da Costa Barreto. Apesar de desavenças momentâneas que tivemos, aprendemos, ao longo dos anos, a nos respeitarmos mutuamente. Crescemos todos. Ampliamos a nossa compreensão do fenômeno da corrupção e das várias maneiras de a combatermos. O mais importante de tudo é continuarmos nessa luta tão necessária e importante contra a corrupção e em defesa da ética pública. Sabemos nós na Transparência Capixaba do seu compromisso com a nossa luta, por isso muito a respeitamos e contamos com a sua presença na Transparência Capixaba. O melhor de tudo, como historiador não consigo perder essa perspectiva, é sempre aprendermos com os acontecimentos, coisa ainda rara em nossa vida pública. Como diz o economista Eduardo Gianetti em seu livro Auto engano “o ponto cego no olhar adentro é o avesso do olho de lince no olhar afora”, como é bom, querida Mariazinha, aprendermos sempre. Você tem essa admirável capacidade o que faz, também de mim, seu admirador.
    Grande abraço
    Rafael Cláudio Simões
    Secretário-geral da Transparência Capixaba


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