Publicado por: blogdamariazinha | 12/07/2011

Educação pública no estado do Espírito Santo: a reprovada é ela

Reprovada está a educação pública no Espírito Santo. É preciso sair do discurso. Disso tivemos oito anos aqui no estado.

A matéria especial de hoje do jornal A Tribuna joga luz sobre um aspecto fundamental sobre a vida de nossa sociedade, na verdade de qualquer sociedade, a educação.

Já há muitos anos o tema me preocupa. Desde que li Bertrand Russell, nas suas obras sobre educação, o tema ganhou, para mim, status de essencial.

Anos depois, lendo um outro grande pensador: John Kenneth Galbraith, fiquei encantada quando ele, de forma direta e simples, ao mesmo tempo magistral, delineou as três funções fundamentais da educação: promover a ascensão social (isso, claro, subentende conhecimento adquirido para o exercício profissional), permitir que as pessoas se autogovernem e participem das estruturas de poder e permitir que as pessoas desfrutem, ao máximo, das grandes conquistas da civilização humana. Ele fez isso na sua obra A sociedade Justa.

Aqui em nosso país e também, como não poderia deixar de ser, em nosso estado e municípios, as pessoas, melhor seria dizer os líderes políticos, gostam mais de falar da importância da educação do que efetivamente agir pela educação.

A matéria de A Tribuna de hoje deixa claro como temos muitos problemas nessa área, como fracassamos em ter uma educação que promova aqueles princípios de que nos fala Galbraith.

Como compreender uma educação que tem índices tão gritantes de reprovação? Como compreender que tantos jovens abandonem a escola antes do fim do seu período letivo? Como compreender – como tanto me falam conhecidos que são professores – que estudantes cheguem ao ensino médio ou até mesmo superior sem a mínima compreensão da língua portuguesa e da matemática?

Passamos os últimos oito anos, de 2003 a 2010, sendo mistificados por intensas propagandas governamentais que se construía em terras capixabas um “novo Espírito Santo”. Mais uma vez, como quase tudo que se olha de perto sobre esse período, vemos como essa visão foi enganosa. O que temos desse mandarinato de Hartung Gomes, como na saúde, na segurança pública, na mobilidade urbana, no sistema prisional é: uma educação pública de baixa qualidade.

A mudança a ser realizada nesse quesito é, como todos sabemos, de longo prazo, mas, para acontecer, tem que começar e já, sem delongas, sem desculpas esfarrapadas, sem discursos altissonantes, mas com determinação, vontade, recursos e uma política definida.

Como diz um dos dez princípios do código de conduta de Bertrand Russell: “Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.”


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