Publicado por: blogdamariazinha | 29/06/2011

E a orquestra continua tocando

A orquestra toca no presente e, como a música parece boa aos nossos ouvidos, esquecemos do que vem depois. Responsabilidades intergeracionais exigem que pensemos no futuro.

Eu acredito em responsabilidades inter geracionais. Ao meu juízo essas responsabilidades servem tanto para as relações familiares, onde pais – claro – devem cuidar e apoiar os filhos, mas o inverso deve ser também verdadeiro, quanto para as relações da sociedade onde as gerações do presente devem ter preocupações com as do futuro, e as do futuro, quando lá chegarem, devem se preocupar com aqueles que estiverem na fase da chamada terceira idade.

Infelizmente, no que se refere a esse segundo aspecto, não é isso que vejo acontecendo em nosso país.

Deveríamos – pelo que já passamos ao longo de nossa história – ter aprendido que esse tipo de preocupação exclusiva com o presente, largando o futuro nas mãos do destino ou do imponderável – não é uma boa estratégia.

Se ainda tivéssemos algum tipo de dúvida deveríamos olhar para países como a Grécia que, ao longo dos últimos anos, viveram muito acima de suas possibilidades e agora pagam um preço caro por isso.

Me parece que para o desenvolvimento de longo prazo de qualquer país três questões são basilares: estrutura social coesa, com desigualdades de baixo nível, forte capacitação educacional e técnica de sua população e um nível adequado de poupança interna, do país e das famílias.

Sinceramente vejo que temos graves problemas em todos esses campos.

Somos, apesar dos avanços que conquistamos nesses últimos vinte anos, especialmente a partir do Plano Real e da agenda social ampliada, um país menos desigual, mas ainda com enorme desigualdade; temos um sistema educacional melhor – da pré-escola até o ensino superior e de pós-graduação, mas ainda temos muito o que caminhar nesse campo, como, aliás, mostram as diversas estatísticas; e, por fim, mas não menos importante, temos um país em que as famílias poupam pouco, e de forma decrescente, inclusive com grande aumento do endividamento, e que as instituições públicas são grandes sorvedouros dos recursos reduzindo – muito – a capacidade privada de investimentos.

Uma questão fundamental que muito me preocupa, e que tem sido destacada pelo economista Fábio Giambiagi, é a da previdência. Temos um país em que a população vai ficando cada vez mais velha e uma tendência de estabilização da população economicamente ativa.

A previdência no Brasil não opera como poupança de longo prazo e sim como fluxo de caixa. Os que pagam a previdência hoje sustentam os pensionistas e aposentados. Na medida em que o número de pessoas pagando tende a se estabilizar e o número de aposentados tende a crescer, e muito, a conta ficará cada vez mais salgada para os futuros pagadores.

Por mais que acredite em responsabilidades inter geracionais não será possível cobrar esse preço dos nossos futuros trabalhadores. A conta não vai fechar.

Não quero ser pessimista. A situação do Brasil nos últimos quase vinte anos melhorou bastante, mas temos problemas. Não podemos nos esquecer do futuro e pensar apenas no fantástico baile que está ocorrendo. A orquestra ainda está tocando, mas a partitura precisa ter uma grande quantidade de músicas para que ela possa tocar não só para nós, mas também para aqueles que ainda são jovens e até para aqueles que ainda vão nascer. Assim entendo a responsabilidade inter geracional.


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