Publicado por: blogdamariazinha | 10/06/2011

Energia e futuro III – Luiz Paulo Vellozo Lucas*

O jornal A Gazeta publicou hoje o terceiro artigo de Luiz Paulo Vellozo Lucas da série sobre a questão da energia e o nosso desenvolvimento futuro. Vale, com certeza, a leitura.

Nos dois artigos anteriores, procurei mostrar a importância de aumentar a presença das fontes alternativas de energia na matriz brasileira diante do esgotamento das oportunidades de grandes novas hidroelétricas, e as enormes possibilidades econômicas e ambientais com a geração de energia usando o lixo urbano como matéria-prima nas modernas usinas WtE (Waste to Energy). Neste artigo, quero discutir as diferentes formas de aproveitamento da energia solar como fonte de geração de eletricidade.

A energia solar pode ser captada através de painéis térmicos que aquecem água para uso doméstico. Usando o mesmo princípio, foi desenvolvido um sistema que utiliza espelhos concentradores que potencializam a absorção de calor pelos painéis térmicos produzindo vapor que movem turbinas geradoras de eletricidade. São chamados de CSP (Concentrated Solar Plants). Complementando, temos ainda as células fotovoltaicas que transformam a irradiação solar diretamente em corrente elétrica.

A tecnologia para a implantação de usinas tipo CSP está disponível e já existem projetos da iniciativa privada para o Nordeste. A economicidade desta modalidade está provada bastando apenas a mesma estrutura tarifária e regulatória que hoje é utilizada para as PCH (pequenas centrais hidroelétricas de até 30 MW).

As células fotovoltaicas são produzidas através do beneficiamento do silício, matéria-prima que o Brasil possui em abundância e que é exportada para países que possuem indústria de beneficiamento do silício, como a China, para produção de componentes eletrônicos (chips semicondutores) e células fotovoltaicas.

Discute-se a utilização de geração pelo método fotovoltaico em três situações. A primeira, em grandes estruturas de serviços nas cidades tais como: estádios esportivos, shopping centers, centros de convenções, hospitais, entre outros. A questão central nesses casos é a estabilidade do sistema e sua interligação com a rede.

É preciso regulação específica para esses coprodutores com regras claras para tarifas, horários de produção e uso de energia. Quase sempre é necessário acoplar um gerador a óleo ou a gás para dar estabilidade e confiabilidade ao sistema.

A segunda é a instalação de “fazendas” de painéis fotovoltaicos para a produção de eletricidade em maior escala para a rede. Os lagos e as represas, as áreas inundadas dos charcos e pântanos e os desertos são perfeitos para abrigarem painéis fotovoltaicos flutuantes ou fixos.

A terceira forma é a utilização de painéis fotovoltaicos em comunidades desconectadas da rede. Visitei recentemente , em Londres, uma empresa em fase de incubação que vai produzir células FV impressas em um filme plástico, permitindo imaginar tendas, abrigos e até capas plásticas para produzir eletricidade em locais remotos.

O sol é a maior fonte de energia do planeta. Temos que aprender a captá-la adequadamente para reduzir gradualmente a queima de combustíveis fósseis. É bom, bonito e barato.

Luiz Paulo Vellozo Lucas é engenheiro da área de Meio Ambiente do BNDES e professor de Economia da PUC-RJ. E-mail: luizpaulo@vellozolucas.com.br

* – Publicado no dia 10 de junho de 2011 na página de Opinião do jornal A Gazeta.


Responses

  1. Muito Bom , e pensar que o Minist. da Pasta é um tal Edson Lobão , que Disperdicio


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