Publicado por: blogdamariazinha | 06/06/2011

Palocci e os soviéticos

As matrioskas, uma tradição russa, são essas maravilhosas bonecas que quando você abre tem uma dentro da outra até atingirem um tamanho mínimo. Talvez seja o caso invertido de Palocci, sempre que se olha tem um escândalo novo, agora são apartamentos. Pede pra sair Palocci, na quarta ou quinta-feira dessa semana você acabará demitido.

Quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) acabou, na véspera do Natal de 1991, pudemos vislumbrar pouco a pouco a extensão dos danos cometidos pelo regime, dito comunista, para os seus cidadãos e para o mundo.

Evidente que aqueles que acompanhavam o cenário internacional e a história com um pouco mais de atenção, e não estavam dominados por uma mentalidade de “estado de sítio”, típica da Guerra Fria, já podiam ver desde muito que o regime soviético, em que pese realizações positivas no âmbito social – saúde e educação – e do fato que tirara um país rural e atrasado e, em pouquíssimo tempo, o transformou em um país industrial.

As promessas dos bolcheviques, assim se autodenominavam os comunistas russos, no entanto, ficaram mais no discurso do que se efetivaram na prática.

O setor industrial desenvolvido nunca teve real preocupação com a produção de artigos que buscassem um conforto maior para a população, prosperaram na economia superestatizada e supercentralizada que montaram a corrupção, os desvios e a baixa qualidade, além da completa primazia do setor industrial sobre o civil.

As condições de vida dos cidadãos médios da URSS, no fim do regime, não eram melhores que a de muitos países do Terceiro Mundo, apesar do país possuir armamentos nucleares e enviar seres humanos ao espaço, entre outros avanços.

Quando, na década de 1980, o regime soviético entrou em sua crise terminal, que levou ao esfacelamento do Bloco Comunista, restando apenas alguns poucos países na Ásia e um na América, foi com absoluto estarrecimento que se operou um absurdo processo de mafialização da economia russa. A nomenklatura, como era apelidada a elite soviética, vendeu para si mesma, e para seus companheiros do crime organizado, as propriedades sobre as quais, antes, detinham controle político por dominarem com mão de ferro o poder de Estado.

Vejo que o senhor Palocci, e na verdade muita gente do Partido dos Trabalhadores (PT), como comprovam por exemplo os episódios do Mensalão ou do súbito enriquecimento dos filhos de Lula, já operam com essa mentalidade soviética.

A propriedade estatal e o poder político, na cabeça dos petistas, confundem-se como propriedade privada, com a qual, graças ao “mundo novo” que, como os bolcheviques, os petistas prometem.

Para isso, no entanto, diante de uma visão de absoluto pragmatismo, onde os fins justificam os meios, eles se acham no direito de utilizar – como bem entendem – os bens e dinheiros públicos.

Só falta instalarem, como fizeram os soviéticos, as berioskas, lojas que vendiam produtos, desde alimentos até eletroeletrônicos, que o cidadão comum soviético não tinha acesso em suas lojas populares, nas quais só a nomenklatura tinha acesso, afinal até cartão corporativo para fazer suas compras nessas lojas eles já têm.


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