Publicado por: blogdamariazinha | 03/06/2011

FHC e a maconha

Meus parabéns ao ex-presidente FHC, como também aos outros ex-presidentes envolvidos, em levantar a discussão sobre a forma de tratarmos a questão da maconha.

Até pensei em fazer uma brincadeira com o título desse post e colocar “FHC e o THC”. THC, para quem não sabe, é o princípio ativo da maconha, o tetraidrocanabinol (em inglês tetrahydrocannabinol), mas quero fazer aqui uma pequena discussão, uma primeira abordagem da questão, sem preconceitos e sem ironias demasiadas.

Primeiro é bom lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já teve sua trajetória política prejudicada por sua franqueza em relação ao tema da maconha. Foi em 1985 quando ele se candidatou a prefeito de São Paulo e acabou perdendo para Jânio Quadros.

Na ocasião, poucos dias antes da eleição, FHC, ainda era mais sociólogo que político e admitiu numa entrevista a revista Playboy que já havia, quando jovem, fumado maconha e, ainda, que era ateu, além disso, numa atitude que foi considerada prepotente, tirou uma foto sentado na cadeira de prefeito de São Paulo.

Jânio Quadros não perdeu a oportunidade e reproduziu aos milhões a entrevista em que FHC afirmava que era ateu e já havia fumado maconha. Jânio que, até então, estava atrás nas pesquisas virou o jogo e vendeu.

Depois dessa lição de realpolitics e do conservadorismo moral dos brasileiros, FHC se tornou mais pragmático.

Vejo como muito importante, agora na condição de ex-presidente, que FHC se disponha a levar a público discussão tão relevante.

Me parece uma inegável evidência que a estratégia de combater as drogas, até as mais “leves” como a maconha, pela via exclusiva da repressão não deu resultados. Os números de usuários e de pessoas que se envolvem no seu tráfico, e são presas por isso, não param de crescer.

A maconha, por outro lado, até onde vejo estudiosos falando, tem seus efeitos negativos – ingestão de fumaça, como sei por experiência de ter sido uma fumante de cigarros durante muitos anos, nunca é bom, em que pese os efeitos nocivos dos cigarros serem muito maiores para a saúde – tem, também, seus efeitos terapêuticos positivos, já comprovados pela ciência. Glaucoma e outras doenças se beneficiam do seu uso, sendo ele permitido para tratamento médico até em alguns estados dos Estados Unidos da América.

Entretanto, penso eu, para que a liberação do consumo da maconha possa dar certo ela teria que ser uma medida adotada por todos os países do mundo. Se adotarmos em um país, por exemplo o Brasil, e não nos outros, corremos o risco de nos tornarmos um grande produtor clandestino de maconha para o mundo.

Evidente que ao mesmo tempo que nos livramos da necessidade de combater a maconha, que é a droga ilegal mais usada, teríamos condições de nos concentrar no combate e repressão às outras drogas, e elas são muitas. Cocaína, heroína, crack, LSD, Óxi etc.

Também que por mais que essas outras drogas, exceto a maconha, devam ter o seu tráfico reprimido, devemos ter políticas preventivas e de tratamento para seus usuários, não encarando – nunca – a questão como somente policial, ela – a questão das drogas – é, isso sim, do ponto de vista dos usuários, que queremos resgatar, uma questão de saúde pública.

Assim fico muito feliz que o ex-presidente FHC entre de peito aberto nesse debate. Apoio publicamente a necessidade de uma discussão ampla e a busca de novas políticas públicas para essa questão, políticas essas que não sejam focadas – somente – na repressão.


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