Publicado por: blogdamariazinha | 27/05/2011

Energia e futuro II – Luiz Paulo Vellozo Lucas*

Artigo Energia e futuro II, de Luiz Paulo Vellozo Lucas, publicado hoje no jornal A Gazeta. Continua o primeiro que foi publicado no dia 13 de maio.

A abundância não prejudica, mas pode viciar. O Brasil é campeão mundial em recursos hídricos superficiais, título acumulado com o de país com maior índice de desperdício no sistema de distribuição de água. Na hidroeletricidade, também somos campeões mundiais de potencial, de produção e de baixo custo no investimento por kW gerado.

No artigo anterior, ressaltei a importância do maior desenvolvimento no Brasil de fontes alternativas de energia. Neste espaço, vou me concentrar na energia proveniente das chamadas usinas resíduos-energia, que utilizam Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), mundialmente conhecidas como WtE (Waste to Energy)

Em todo o mundo, essa tecnologia de geração de energia está se disseminando. Na Suécia e na Dinamarca, metade do lixo vai para as WtE. No Japão e em Taiwan, esse percentual chega a 60%, e a China, que há poucos anos não tinha nenhuma usina térmica a lixo, já transforma 25% do total de RSU do país em energia.

O Brasil precisa urgentemente começar o aproveitamento energético do lixo. Hoje, o nosso país recicla 1%, deposita 56% em aterros sanitários – nem todos adequados – e lança 43% em lixões a céu aberto. O Congresso Nacional aprovou, no ano passado, uma lei sobre RSU com compromissos e metas para as municipalidades tratarem adequadamente seu lixo.

Em 2010, produzimos 60.868 mil toneladas de lixo dos quais 54.158 mil tons foram coletadas por serviços municipais. O crescimento anual do lixo coletado tem sido da ordem de 5,2% pelo efeito combinado da maior produção per capita, que acompanha o enriquecimento do país, com a maior abrangência dos serviços de coleta.

O potencial teórico de geração de energia elétrica através de usinas WtE é da ordem de 5,4 GW, quase duas vezes a capacidade de Santo Antônio no Rio Madeira.

A atratividade econômica das WtE é inequívoca. Elas podem ser implantadas em cidades, ou grupos de cidades, com mais de 120 mil habitantes, ao custo de cerca de R$ 30 milhões. Já existem várias empresas estrangeiras formando consórcios com empresas e investidores brasileiros para entrar nesse mercado.

Do ponto de vista social e ambiental, o fim dos lixões e dos aterros pode gerar uma brutal redução na emissão de gases de efeito estufa e eliminar a insalubre e degradante forma de sobrevivência dos catadores. Os municípios de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra poderiam se adiantar aproveitando a Baía de Vitória para fazer o transporte do lixo em barcaças alimentando uma ou duas usinas WtE.

Aliás, a Companhia de Desenvolvimento de Vitória (CDV) chegou a preparar um edital para uma licitação pública de concessão da gestão do lixo da cidade, prevendo a instalação de uma usina WtE no final do meu segundo mandato na prefeitura (2004). Precisamos aproveitar a realização da conferência Rio+20 para entrar na era das usinas WtE. Antes tarde do que nunca.

* – Publicado na página de Opinião do jornal A Gazeta, de hoje, dia 27 de maio de 2011.

Luiz Paulo Vellozo Lucas é engenheiro da área de Meio Ambiente do BNDES e professor de economia da PUC-Rio.
E-mail: luizpaulo@vellozolucas.com.br


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