Publicado por: blogdamariazinha | 25/05/2011

Eleições de Reitor na UFES

Segundo ouço de amigos esses dois da foto, Reinaldo Centoducatte e Sebastião Pimentel, são os dois principais candidatos ao cargos de reitor nas eleições da UFES desse ano. Infelizmente não responderam às perguntas de A Gazeta.

omei conhecimento das eleições para Reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) pelo jornal. Foi uma matéria de A Gazeta do dia 20 de maio, sexta-feira passada, que me despertou a atenção para o assunto. São seis candidatos.

Isso, ao meu juízo, já demonstra a importância – pouca, é verdade – que a instituição tem para a vida dos capixabas. Me considero uma mulher “antenada” na política local e vejo, com tristeza, que ao longo dos últimos anos a Universidade construiu para si um isolamento e insignificância que a tornam uma quase desconhecida para nossos cidadãos.

Essa é para mim a questão chave: construir um efetivo relacionamento da comunidade capixaba. Não um relacionamento pontual e marcado apenas pelos interesses de algumas empresas em pagar algum dinheiro para que pesquisas sejam realizadas. Não um relacionamento que seja marcado por alguma suposta superioridade da instituição em relação aos capixabas comuns por qualquer razão que seja.

Vejo pouquíssimos profissionais da UFES se pronunciando sobre os temas do momento, sejam eles da política, da economia, do aquecimento global, da reforma tributária ou seja lá do que for. Não vejo, as pesquisas que são realizadas por esses professores e alunos saindo dos muros da instituição e sendo comunicadas e apropriadas pela comunidade. O que fazem lá esses sábios professores?

Penso que o número de alunos deveria ser maior, que a carga horária daqueles professores deveria ser compatível com as outras atividades que realizam, se não fazem pesquisas devem dar mais aulas, gostaria que as atividades meramente administrativas fossem realizadas por servidores. Muitas coisas, ao meu juízo, precisam mudar nessa e noutras instituições federais superiores de ensino.

O último reitor, ao meu ver, nada fez, durante esses quase oito anos, para modificar a situação administrativa e pedagógica da instituição. Apagado como professor, apagado como Reitor. É de se imaginar como veio a ser eleito anos atrás. Talvez influências políticas e corporativas, nunca por um projeto de mudança e renovação da instituição. Muito sintomático o fato de que tenha saído da Reitoria, antes do fim do seu mandato, por um cargo na Câmara dos Deputados, em cargo com a Deputada Rose de Freitas. Não imagino que a sociedade capixaba e a comunidade da UFES sintam saudade dele.

Infelizmente a reportagem de A Gazeta não explorou junto aos candidatos questões que buscassem estabelecer algum compromisso dos candidatos com a comunidade capixaba de modo geral. As perguntas foram mais de interesse corporativo.

Por fim uma nota de curiosidade. Os únicos candidatos que se recusaram a responder as questões – nada complexas – que a reportagem de A Gazeta fez para todos eles são aqueles que ouço dizer são os favoritos. O nome dos fujões: Reinaldo Centoducatte e Sebastião Pimental, uma pena.

Vejamos se ao longo do processo eleitoral esses dois senhores, e os outros quatro candidatos (Antônio Carlos Moraes, José Eduardo Macedo Pezzopane, Sonia Maria Dalcomuni e Armando Biondo Filho) se pronunciarão sobre assuntos que interessam aos capixabas de modo geral ou se continuarão falando apenas para eles mesmos, seria uma pena ainda maior.


Responses

  1. Querida Mariazinha,

    Concordo em gênero e grau com sua possição sobre a UFES. No entanto, eu vi o Prof. Antonio Carlos Moraes como um sujeito que colocou a UFES no cenário capixaba com muita força. Não podemos esquecer que foi o grande responsável pelo sistema de cotas para a escola pública, enfrentando a fúria das escolas particulares e do próprio movimento negro. Ele foi um gigante e venceu a parada. Merece nosso apoio nessas eleições.

  2. Prezada Mariazinha,

    Segue as respostas, na íntegra, sobre a reportaem de A Gazeta dia 06 de maio.

    Vestibular (uso do Enem)

    Defendemos qualquer processo eficiente, de qualidade e que não seja excludente. Um sistema menos cruel e mais econômico para o candidato. Defendemos um sistema que coloque a UFES no cenário nacional e favoreça o preenchimento de todas as vagas. Por isso defendemos a utilização total do ENEM com a liberdade para os cursos escolherem o instrumento mais adequado na segunda etapa.
    Além disso, vamos colocar em discussão a possibilidade de aprovar a utilização do currículo profissional do candidato como bônus na pontuação para o vestibular dos cursos que possuem correlatos em nível técnico ou pós-médio.

    – Sistema de reserva de vagas

    Defendemos a continuidade do sistema em razão de seu sucesso, da visibilidade social e os investimentos que a universidade recebeu e importância da função social que a UFES passou a exercer em vários espaços políticos e sociais (recebemos 4 condecorações em Câmaras municipais e na Assembléia Legislativa e algumas moções de louvor). O sistema de reserva de vagas atingiu, positivamente, todos os estudantes da universidade com a melhoria do restaurante universitário com sua tarifa subsidiada, do aumento de bolsas de graduação, pesquisa e extensão, com o curso de línguas estrangeiras, com aumento do material didático, com distribuição de bolsas para transporte urbano, com o aumento da oferta de livros nas bibliotecas, etc. Além disso, as escolas da rede estadual ganharam notória mobilidade e adesão da população com a implantação dessa política. Trata-se da ação de aproximação da UFES com a comunidade externa de maior relevância e visibilidade. A UFES tem dois projetos políticos importantes nos dias de hoje: a Reserva de vagas e a Expansão para o interior.

    – Grade curricular

    Estamos finalizando uma reforma curricular em todos os cursos, desde 2006. de 2007 a 2010 fui o Presidente da Comissão de Ensino do CEPE. Na ocasião fizemos a reforma curricular de 62 cursos sob a minha direção. A experiência nos deu condições de Defender uma forma mais dinâmica de reforma curricular. Chegam professores novos e a dinâmica social nos obriga, a todo momento, fazer mudanças importantes.
    De qualquer forma, defendemos um projeto de Licenciatura mais orgânico, com forte ligações multidisciplinares e compromissos com a educação popular, integral e inclusiva. No campo tecnológico, biomédico e social, uma universidade organicamente ligada às demandas da população (Saúde, urbanização, transporte, esporte, lazer, direitos humanos, cultura artística, etc) por meio de projetos de extensão e da pesquisa aplicada. A população, principalmente a mais necessitada de serviços, tecnologias e educação, precisa de se transformar no alvo prioritário da universidade.

    – Moradia estudantil

    Defendemos, por diversas razões, a construção de moradias estudantis nos três campi da UFES. Já fizemos o projeto e o entregamos à reitoria. É um projeto factível, barato para construir e barato para manutenção. Hoje a universidade oferece bolsas moradias para os estudantes com um custo de R$2.400,00 aluno/ano. Com a moradia construída o custo cai para R$1.133,00 aluno/ano. A construção custará cerca de R$ 20.000.000,00. Recursos que podem ser captados por emenda parlamentar ou por programa específico do MEC já em negociação com o Forum Nacional de Assistência Estudantil do qual participamos efetivamente.
    Além disso, a universidade não pode querer visibilidade nacional e consolidar sua expansão no interior do Estado sem oferecer moradias decentes e de qualidade habitacional para seus estudantes da graduação e pós-graduação.

    – Estrutura administrativa

    Defendemos a reforma administrativa. Primeiro por meio da ESTATUINTE (Reforma do estatuto e do Regimento Geral) e imediatamente, algumas reformas pontuais como:

    1) Descentralização do orçamento da UFES. Destinando recursos às Pró-reitorias, Unidades de ensino (Centros) e órgãos complementares que ficará sob o controle e execução dos dirigentes e respectivos conselhos.

    2) Criar mecanismos de defesa intransigente do Hospital Universitário como órgão público diretamente ligado à UFES e ao processo de ensino, pesquisa e extensão, dos cursos a ele vinculados.

    a criação de cinco novos órgãos:
    a) Pró-Reitoria de Pessoal para melhorar as relações humanas e de trabalho dos servidores técnicos e docentes; aumentar o nível de qualificação profissional e implementar o sistema de INCLUSÃO SOCIAL dos servidores, criando programas para que todos os servidores possam usufruir de equipamentos, bolsistas, materiais e participação em eventos culturais e científicos com recursos da universidade. Ou seja, aproximar a comunidade que trabalha da vida universitária em sua totalidade.
    b) Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis para administrar os recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil do governo federal e criar um programa que seja capaz de distribuir entre todos os estudantes tais recursos. A idéia principal é garantir a todos os cursos o direito de participar dos Encontros Nacionais de Estudantes. Consideramos este evento como um dos mais importantes na formação complementar dos estudantes de todo Brasil.
    c) Criação do Núcleo de Acessibilidade como estrutura administrativa da UFES e como órgão responsável pela política pública em favor dos membros da comunidade com dificuldades físicas, de conforto, locomoção e mobilidade. Orientar a UFES para adaptação de todos os prédios e espaços físicos com equipamentos e materiais que favoreçam a acessibilidade de todos, principalmente as pessoas com deficiência, obesas e idosas é a tarefa principal.
    d) Transformação imediata da Pré-Escola Criarte em estrutura administrativa da universidade, colocando-a em condições de atendimento educacional aos filhos de estudantes e servidores com a qualidade exigida pelo Conselho Nacional de Educação.
    e) criação da central de editais e concursos para melhorar a captação de recursos para projetos de Extensão, pesquisa e ensino; auxiliar as unidades de ensino na seleção de professores e aprimoramento do processo seletivo com a unificação de vagas novas, transferência e novo curso.

    Também gostaria de saber qual o investimento previsto na sua candidatura e se há apoio de algum partido político.

    Vamos fazer uma campanha de conversas em pequenas e grandes reuniões, interação nas redes sociais e algum material gráfico de chamadas para as reuniões e divulgação do nosso projeto de universidade. Construímos um movimento. É o AMPLITUDE-UFES. Vamos ratear os custos entre os membros e simpatizantes do movimento.
    O partido ao qual sou filiado não tem posição oficial sobre apoio a qualquer candidato. O mesmo pode-se afirmar sobre os filiados que fazem parte da comunidade universitária. Dentro da universidade preferimos contar com o movimento criado entre os membros da comunidade interna independente da filiação partidária. Fora da universidade, temos o apoio de importantes de pessoas ligadas aos ministérios, às várias secretarias estaduais e municipais; aos setores políticos,às sociedades científicas e, principalmente, aos MOVIMENTOS SOCIAS E POPULARES. Entre todos os candidatos, eu sou o único que tem o apoio destes últimos, tanto em nível estadual quanto nacional. Foi com estes com quem eu contei quando fomos pressionados na ocasião da aprovação das cotas. Foi por isso que o sistema recebeu, naquele momento, aprovação de 80% da sociedade.


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