Publicado por: blogdamariazinha | 13/05/2011

Energia e futuro – Luiz Paulo Vellozo Lucas*

Artigo de Luiz Paulo de hoje destaca a importância das energias alternativas para o futuro do nosso desenvolvimento.

Os preços internacionais do petróleo, nos anos 70, elevaram-se bruscamente a partir da manipulação do mercado abertamente feita pela Opep, o cartel dos países produtores. Ficaram conhecidos como sendo os “choques do petróleo” ocorridos em 1973 e 1979.

Da mesma maneira que a idade da pedra não acabou por falta de pedra, o mundo descobriu nessa época que a era do petróleo um dia iria acabar, e certamente muito antes do fim das reservas. Descobriu-se também que tinha acabado a era do petróleo muito barato e abundante.

A primeira reação foi uma corrida para investimentos em áreas promissoras localizadas onde o custo de exploração e produção era mais elevado, como em alto-mar. Foram descobertas, entre outras, as reservas de petróleo no Mar do Norte, no Golfo do México e na Bacia de Campos. A segunda consequência é a entrada definitiva do tema “conservação de energia” na agenda mundial. A terceira foi a busca por novas fontes energéticas capazes de substituir o petróleo. Neste campo, o Brasil se destaca mundialmente com o pioneiro e bem-sucedido pró-álcool.

Nos anos 90, o debate sobre o meio ambiente invade as questões econômicas e políticas cobrando a contabilização dos recursos naturais utilizados pela vida moderna. Ar limpo, água potável, biodiversidade das florestas e mares, terras férteis, tudo isso estava sendo gasto em proporções crescentes sem reposição e sem ser tratado como custo.

A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, foi um marco fundamental, e surgiu uma nova e desconcertante conclusão: a emissão de gás carbônico e de outros gases produz o efeito estufa que, por sua vez, é responsável por mudanças e instabilidade extrema nas condições climáticas do planeta.

Inúmeras conferências internacionais foram realizadas. Em 1997, em Kyoto, no Japão, pactua-se o protocolo que entra em vigor em 2005 e é o marco regulatório do esforço mundial para reduzir emissões de GEE (gases de efeito estufa) e buscar a transição para uma economia de “baixo carbono”. Em 2012 vai acabar a vigência do Protocolo de Kyoto e realiza-se mais uma conferência internacional, a Rio+20.

A matriz energética brasileira é fortemente sustentada pela hidroeletricidade, uma fonte limpa e renovável. Contudo, as oportunidades para grandes usinas estão esgotadas. As hidrelétricas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio) com capacidade de 6.450 MW e Belo Monte no Rio Xingu com 11 mil MW de capacidade na cheia, se conseguirem ser construídas, encerrarão esse ciclo.

Assim, introduzir fontes alternativas de energia tais como eólica, solar e oriunda de usinas térmicas movidas a lixo urbano na matriz brasileira é a principal prioridade para que o Brasil não precise recorrer à queima de combustíveis fósseis em grande escala nos próximos anos. Os primeiros leilões de eólica já foram realizados, mas em solar e térmicas a lixo (WTE-Waste to energy) temos tudo ainda por fazer.

* – Publicado na página de Opinião do jornal A Gazeta, de hoje, dia 13 de maio de 2011.


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