Publicado por: blogdamariazinha | 12/05/2011

PSD: tragédia ou farsa?

Esse tal PSD de Kassab é de esquerda, direita ou centro? Nada. É do governo ou de oposição? Nada também. Na verdade parece que é mesmo uma farândula.

Não sou versada em Karl Marx, mas como pessoa atenta que acompanha discussão de intelectuais com quem convivo, felizmente até os dias de hoje, sempre ouvi discussões interessantes sobre questões que esse grande intelectual alemão levantava– o que não significa nem de longe que concorde com as ideias dele, ou as que as pessoas dizem ser dele.

Sempre que penso nesse novo partido que está surgindo no Brasil, o tal PSD (Partido Social Democrático) e percebo o “grande saco de gatos” (e gatunos?) que está se formando, ficava tentando me lembrar da frase de Marx, que já tinha ouvido numa das conversas mencionadas acima, que liga história e farsa. Hoje resolvi procurar no Google a tal frase e rapidamente a achei.

A frase é a seguinte: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa” (fonte: http://pensador.uol.com.br/marx_frases/3/)

Já tivemos um PSD em nosso país. O antigo e original PSD foi fundado ainda em 1945, nos estertores do famoso e famigerado Estado Novo (1937 – 1945), sob os auspícios de Getúlio Vargas.

Vargas, na verdade, fundou ainda o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Com a criação dos dois partidos o grande caudilho buscou controlar duas vertentes da política do Brasil naquele período: a ascendente classe trabalhadora urbana, com o PTB (também já refundado como farsa, e hoje presidido por ninguém menos que o senhor Roberto Jefferson), e a elite agrária e comercial do país, ajuda pelo comando do funcionalismo público da época, no PSD.

O PTB era um partido reformista e um pouco radicalizado (a opção mais radical na época era o conhecido PCB – Partido Comunista Brasileiro) e o PSD era um partido moderado e do poder, disposto a negociar paulatinamente tênues mudanças em nosso sistema.

Esse tal PSD que se forma – como disse com alhos e bugalhos em todo o país – não tem vocação pra nada, me parece, a não ser o poder – puro e simples, o poder pelo poder – sem nenhuma ideia mais consistente sobre as mudanças que o país e o nosso estado precisam.

Segundo o seu fundador, o conhecido senhor Gilberto Kassab, atual prefeito de São Paulo, o tal partido não é de esquerda, de direita ou de centro, não é do governo ou de oposição. Não é nada mesmo, só um ajuntamento de interesses particularistas em negociar novas vantagens para os seus integrantes.

Quando vejo os nomes velhos – não de idade, mas de propostas e, principalmente, prática que se ajuntam nesse novo Partido – que, concordando com Marx, se repetirá na história como tragédia e farsa, fico pensando nas voltas que Juscelino Kubitschek deve estar dando na sua tumba quando o senhor Kassab diz que o nome do PSD foi, principalmente, em sua homenagem. Não imagino que ele gostaria de receber homenagens de personagens tão sombrios da história de nosso país e de nosso estado.


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