Publicado por: blogdamariazinha | 10/05/2011

A República Velha de Lula e Dilma

Um esquema básico de funcionamento do coronelismo da República Velha que Lula e sua pupila Dima reconstroem na política e na economia, como agora comprovado no estudo do IPEA.

A República Velha (1889 – 1930), também conhecida como Primeira República, foi um período de muitas decepções para os brasileiros comuns.

Proclamada a República, a expectativa de vários setores da sociedade brasileira de que o país fosse modificar a sua ação política-administrativa e que buscasse modernizar a sua economia, se perderam completamente ao longo dos anos.

As modificações que se processaram na sociedade brasileira naquele período aconteceram, podemos dizer, penso eu, apesar da estrutura estatal brasileira, talvez até contra seus desígnios e interesses.

Na economia a marca consagrada da República Velha, tal qual os períodos imperial e colonial de nossa história, era a exportação de commodities, agrícolas ou extrativas. Éramos grandes exportadores de café, borracha, açúcar, algodão e produtos do gênero.

Na política dominava o coronelismo, onde os grandes proprietários de terras e grandes comerciantes, as vezes a mesma pessoa, dominavam na base o sistema político por meio de expedientes diversos como a troca de favores, a ameça, o domínio econômico e social, o controle e a intimidação. Com a política dos governadores e a política do “café com leite” o domínio da oligarquia fechava o círculo do poder de alto a baixo e impedia, como podia, a participação dos cidadãos e a expressão dos interesses da sociedade.

Assim é o Brasil que Lula, principalmente, e sua pupila Dilma, estão a construir devotadamente ao longo desses anos.

Na política operam a mais deslava troca de favores com as elites coronelistas locais. Suas espúrias alianças com a família Sarney são apenas a face mais visível dessa tragédia que tem no Mensalão a expressão financeira da troca de favores na condução cotidiana do arranjo de poder, e que, diga-se de passagem, continua operando, mesmo que de forma um pouco diferente, com base nas verbas orçamentárias e de empresas estatais, como a Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre outros, na divisão de benesses por meio dos milhares de cargos comissionados e por aí vai.

Agora, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revela que a participação das commodities na pauta de exportações brasileiras, que entre os anos de 1990 e 2006 esteve sempre no patamar de 40%, saltou no período de 2007 a 2011 para 51%.

Somos novamente um país majoritariamente exportador de produtos sem valor agregado. Essa é a noção de desenvolvimento de longo prazo a que nos lega esse governo. Uma tragédia que seria risível não fosse as consequências que traz para a nossa sociedade no longo prazo.

Como afirma o estudo do IPEA, que provavelmente será de alguma maneira desqualificado pelo governo do qual ele é um órgão, “tal resultado reflete também a perda de competitividade do país no comércio internacional em todos os outros grupos de produtos, especialmente os mais intensivos em tecnologia”.

Nos últimos anos perdemos, mais uma vez segundo o mesmo estudo, participação em todos os mercados internacionais, exceto commodities e petróleo. Bingo. A grande construção do petismo, um país fadado a produzir coisas que nos colocam, completamente, nas mãos dos mercados internacionais e sem margem de manobra.

Triste e difícil será a força que teremos que realizar para desfazer essa construção política e econômica de longo prazo que o petismo e o coronelismo, articulados e irmanados, estão enraizando em nossa sociedade.


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