Publicado por: blogdamariazinha | 26/04/2011

Chernobyl, 25 anos depois a questão nuclear continua impactante

25 anos depois de Chernobyl a questão nuclear continua sendo questão delicada e controversa. Fukushima é um terrível aviso disso.

O ano de 1986 começa – no que diz respeito ao mundo e ao Brasil – repleto de expectativas.

Por aqui estávamos desde o final de fevereiro vivendo as maravilhas do heterodoxo choque que foi o Plano Cruzado. Os fiscais do Sarney (eca!!!, para o Sarney, principalmente) abundavam em portas de supermercados, padarias e outras lojas, o congelamento de preços produziu – em seu início – um aumento real dos salários que propiciou uma bolha de consumo desconhecida para muitos, José Ribamar surfava na onda. Tínhamos, ainda, o início dos trabalhos da Constituinte que tantas expectativas gerava.

O ambiente mundial também mudara. Desde março do ano anterior, com a eleição de Mikhail Gorbachev para o cargo de Secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), o mundo vivia novos ares na política internacional. Gorbachev começara, em 1985, falando em “uskronie” (algo como melhorias se não me falha a memória).

Já em 1986, durante o 27º Congresso do PCUS, quando foi garantido no cargo de Secretário-geral pela instância máxima do Partido Comunista, Gorbachev radicalizava o discurso e falava em “glasnost” (transparência) e “perestroika” (reestruturação). Aquela mancha vermelha na testa, o sorriso amigo, uma aparência jovem e dinâmica, uma mulher inteligente e bela, tudo isso despertava no mundo interesse por aquele comunista tão diferente dos velhos anteriores que eram a imagem do desgastado comunismo.

Mas eis que no dia 26 de abril ocorre um acidente que colocava em xeque todo o discurso de transparência e ampliava, claramente, a necessidade de reestruturação. Falo aqui, obviamente, do terrível acidente de Chernobyl.

Gorbachev, reconheceu depois que saiu do poder em 1991, que ali foi um marco decisivo – entre outros tantos – para reconhecer a necessidade de extensivas mudanças no sistema. Teve, naquele momento, que fazer algumas concessões ao aparato partidário – sustentado por anos de incúria, segredo e outras tantas características que iam contra o seu discurso. Conseguiu-se, no entanto, abrir uma pequena brecha na medida em que a extensão do problema foi ficando cada vez mais clara com o passar dos dias.

Com certeza esse episódio serve, dramaticamente, para nos lembrar dos riscos que a energia nuclear ainda carrega. Tudo isso fica ainda mais presente e relevante quando os japoneses, e na verdade todo o mundo, se veem às voltas com o acidente de Fukushima, que também atingiu o mesmo grau sete na escala de perigo em acidente nuclear – que vai até sete, lembre-se.

Chernobyl, Fukushima e Three Mile Island (EUA) figuram na categoria dos principais acidentes nucleares da história (veja lista em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/03/12/saiba-quais-foram-os-maiores-acidentes-nucleares-da-historia-924000746.asp), todos nos lembram a necessidade de glasnost para um setor tão sensível e perestroika para algo que pode ser tão perturbador. Gorbachev continua muito atual, nesse sentido.

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