Publicado por: blogdamariazinha | 25/04/2011

Das obrigações morais decorrentes das ações políticas: o caso da Síria de Bashar al-Assad

Quase toda essa região é palco de manifestações de descontentamento popular contra seus ditatoriais governantes. Os países do Ociente, da OTAN e de outros organismos internacionais precisam desenvolver uma política que seja, também, moralmente justa para todos.

Não sou uma idealista política, antes que alguém pense nisso por causa do título. Acho, no entanto, que as ações políticas – inclusive as que assumem caráter militar ou de violência – tem que responder a alguns imperativos morais.

Para que uma ação política venha a se mostrar justificada ou, ao menos, justificável, é necessário que se mantenha uma coerência entre o conjunto de ações daquele político, daquele governante ou partido ou daquele país.

Falo disso diante do que está ocorrendo agora na Síria. O governo ditatorial e hereditário de Bashar al-Assad está massacrando seus cidadãos com ferocidade mais cruel que até mesmo o ditador líbio Kaddafi, e nada está sendo feito para deter esse homem.

Bashar al-Assad está no poder desde a morte de seu pai, Hafez al-Assad, no ano de 2000, e esse ficou no poder de 1971 até a sua morte.

O regime sírio, como já disse ditatorial e hereditário, merece a mesma repulsa da comunidade internacional que os outros governos que já caíram ou que estão na “corda bamba” mereceram recentemente.

Não é possível politicamente, nem aceitável moralmente, fazer algum tipo de concessão contra governos que massacram seus cidadãos impunemente se esse foi o critério para agir na Líbia. Mesmo contra o ditador egípcio, Hosni Mubarak, que teve – comparando-se com Bashar e Kaddafi, uma atitude mais branda com os desafiadores dos seus governos, a pressão internacional foi maior.

Como diz o ditado “quem está na chuva é pra se molhar” ou “pau que dá em Chico, dá em Francisco”. Não me parece portanto que os países do Ocidente queiram dar mais uma vez a impressão de que só agem quando existem interesses econômicos poderosos em cena. Foi essa a impressão, não vou entrar no mérito da discussão aqui, no Kuwait, no Iraque e, agora na Líbia. Vão deixar os sírios para trás, como já fizeram com o povo da Somália? Não me parece moralmente certo, nesses casos, fazer uma política tão diferenciada.


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