Publicado por: blogdamariazinha | 28/03/2011

“Vaca de divinas tetas”: as verbas públicas usadas sem critério

O governo, para muito se parece com uma vaca leiteira que se pode ordenhar infinitamente. Não é, nem dá para assim ser.

Leio horrorizada, na Coluna do jornalista Cláudio Humberto, que um Instituto Cultural da cidade de Santo Amaro (BA) vai receber bônus da Lei Rouanet – para serem trocadas por impostos que seriam pagos por empresas públicas ou privadas – no valor de R$ 710.000,00 (setecentos e dez mil reais) para realizar a lavagem das escadarias da Igreja de La Madeleine em Paris, na concorrida Praça de La Concorde.

Realmente é de se espantar o que fazem nossos burocratas e políticos com as verbas públicas. Como se desperdiçam recursos num país com tantas carências sociais e econômicas, num país cheio de problemas de infraestrutura. Dinheiro público, para essa gente, parece que nasce em árvore ou que é capim. É só passar no “pasto” – nesse caso o governo – e pegar a quantidade que lhe aprouver. Para isso, evidente, há que se ter alguém que possa lhe servir de intermediário em processos tão significativos para a cultura nacional quanto promover a lavagem de uma escadaria na França.

Essa discussão – importante e necessária – surge depois do escândalo das verbas do Blog de Maria Bethânia. R$ 1.300.000,00 (hum milhão e trezentos mil reais), sendo, conforme divulgado pela imprensa, R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) destinados a própria cantora e o resto para a produção do Blog.

Evidente – e essa é a única parte que concordo do triste artigo de Caetano Veloso defendendo sua irmã e seu amigo Chico Buarque, outro que recebeu polpudas verbas governamentais – publicado no jornal A Tribuna, que muitos outros artistas, desnecessariamente, receberam verbas públicas, sem delas ter real necessidade, mas como elas estão lá e sempre existe alguém que conhece outro alguém, por que não pegar? Deve ser esse o raciocínio. Maria Bethânia não deve ser bode expiatório, mas deve como os outros ser severamente criticada.

Caetano deveria se poupar do triste artigo que escreveu, cheio de frases “venenosas” e de ameaças, abertas ou veladas. Deveria argumentar algo que se chama conflito de interesses para não se pronunciar sobre o assunto. Se ele pensa que a sua poderosa verve serve para atacar em qualquer frente, deveria repensar a questão. Filosofar pode ser só em alemão? Mas a discussão das ações públicas dos cidadãos deve ser feita, doa a quem doer, mesmo que sejam elas pessoas “famosas”. Não existe a possibilidade de não permitir a discussão pública sobre o destino dos públicos dinheiros,goste disso o senhor Caetano Veloso ou não, como diria o próprio.

Casos como o de Bethânia, Chico e desse Instituto baiano, o da lavagem das escadarias francesas, devem, além das críticas que suscitam, nos fazer refletir sobre o bom uso dos escassos recursos públicos.


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