Publicado por: blogdamariazinha | 15/12/2010

Troféu “Pra não dizer que não falei de flores”: Liu Xiaobo

O troféu Pra não dizer que não falei de flores vai para esse chinês que aos poucos vamos conhecendo e aprendendo a admirar por sua perseverante luta contra a ditadura chinesa. Liu Xiaobo está desde as manifestações de 1989, na Praça da Paz Celestial, se batendo contra o nefasto regime chinês. Semana passada não pode ir receber o prêmio Nobel da Paz de 2010. Mais um ponto para ele, mais uma vergonha para o governo da China. Por tudo o que já fez em prol da democracia e pelo muito que ainda pode construir é que esse maravilhoso ser humano recebe o troféu dessa semana.

Liu Xiaobo – http://pt.wikipedia.org/wiki/Liu_Xiaobo
Liu Xiaobo (chinês tradicional: 劉曉波, chinês simplificado: 刘晓波, pinyin: Liú Xiǎobō; Changchun, 28 de dezembro de 1955) é um crítico literário, escritor, professor, intelectual e ativista pelos direitos humanos e por reformas na República Popular da China. Desde 2003 é presidente da seção chinesa do PEN club, uma entidade internacional de escritores.
Em 8 de dezembro de 2008, foi detido em resposta à sua participação na assinatura da Carta 08, sendo formalmente preso em 23 de junho de 2009 sob suspeita de “incitar à subversão contra o poder do Estado”.[1] Foi acusado pelos mesmos motivos em 23 de dezembro do mesmo ano,[2] e condenado a 11 anos de prisão em 25 de dezembro.[3]
A 8 de outubro de 2010, foi-lhe atribuído o Nobel da Paz[4]: o Comitê Nobel Norueguês justificou-o “pela sua longa e não-violenta luta pelos direitos humanos fundamentais na China”.[5] Por estar preso, Xiaobo não pôde receber o prêmio.

Juventude e educação
Liu nasceu em Changchun, na província de Jilin, em 1955, numa família de intelectuais. De 1969 a 1973, ele foi levado por seu pai para a Bandeira da Frente Oriental de Horqin, na Mongólia Interior, durante a Campanha de Envio ao Campo. Com 19 anos, ele começou a trabalhar numa vila em Jilin, e depois numa empresa de construção civil.[6]
Em 1976, ele começou seus estudos na Universidade de Jilin, e obteve o bacharelado em letras em 1982 e o mestrado em 1984 na Universidade Normal de Pequim.[6][7][8]
Depois de se formar, Liu Xiaobo passou a lecionar na Universidade Normal de Pequim, onde ele obteve também o doutorado, em 1988.
Nos anos 80, Liu tornou-se conhecido no meio acadêmico após escrever uma série de teses criticando a filosofia de Li Zehou. Nos anos de 1988 e 1989, ele foi professor visitante em várias universidades fora da China, como a Universidade de Colúmbia, a Universidade de Oslo e a Universidade do Havaí. Quando os Protestos da Praça da Paz Celestial ocorreram, em 1989, Liu estava fora do país, mas voltou à China para se juntar ao movimento.
Ativismo político
Liu Xiaobo é um ativista dos direitos humanos que reclamou publicamente a necessidade de o governo da China responder por suas ações. Ele já foi detido, preso e condenado repetidas vezes por suas atividades políticas pacíficas, a começar por sua participação nos Protestos da Praça da Paz Celestial, e em quatro outras ocasiões desde então.
Em janeiro de 1991, Liu Xiaobo foi condenado sob acusação de “propaganda contrarrevolucionária e incitação”, mas foi isento de punição criminal.[9] Em outubro de 1996, ele foi condenado a três anos de reeducação pelo trabalho, sob acusação de “perturbar a ordem pública”,[9][10] por ter criticado o Partido Comunista da China.[11] Em 2007, Liu foi detido por um curto período e interrogado pela publicação de artigos na internet, em páginas de servidores fora do território da República Popular da China.
Sua última condenação, em 2009, gerou protestos de todo o mundo. Ele foi condenado a 11 anos de prisão por organizar um abaixo-assinado, a Carta 08, um documento baseado na Carta 77 tchecoslovaca, em que ativistas de direitos humanos cobravam maior liberdade de expressão na China.
O ativismo político de Liu recebeu reconhecimento internacional. Em 2004, a ONG Repórteres sem Fronteiras entregou-lhe o Prêmio Fondation de France, por defender a liberdade de imprensa.[12] Em 2010, Liu recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua atuação em defesa dos direitos humanos.[4]
Prêmio Nobel da Paz
Liu foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2010 por Václav Havel, o décimo-quarto Dalai Lama, André Glucksmann, Vartan Gregorian, Mike Moore, Karel Schwarzenberg, Desmond Tutu e Grigory Yavlinsky.[14] Ma Zhaoxu, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou que a possível premiação de Liu Xiaobo seria algo “totalmente errado”.[15]
Depois da confirmação do prêmio, a agência estatal de notícias chinesa Xinhua levou ao ar uma reportagem afirmando que a premiação de Liu Xiaobo “blasfemou” o propósito de Alfred Nobel ao criar o prêmio e que ela “poderia causar dano às relações entre a República Popular da China e a Noruega”. O porta-voz disse ainda que Liu havia quebrado as leis chinesas e que suas ações eram “contrárias ao propósito do Prêmio Nobel da Paz”.[16][17][18] A premiação de Liu Xiaobo foi censurada pelo governo chinês; as emissoras que transmitiam a premiação ficaram fora do ar e houve uma censura geral do fato na imprensa do país.[19]
A esposa do ativista, a poetisa Liu Xia, obteve permissão para visitar Liu Xiaobo na prisão apenas no dia 10 de outubro de 2010. Após o encontro, foi escoltada pela polícia até seu apartamento e mantida em prisão domiciliar.[20]
Prêmios
Hellman-Hammett Grant (1990, 1996)
Fondation de France Prize (2004)
China Foundation on Democracy Education (2003)
Hong Kong Human Rights Press Awards (2004, 2005, 2006)
Homo Homini Award (2009)[21]
PEN/Barbara Goldsmith Freedom to Write Award (2009)[22]
Hermann Kesten Award (2010)[23]
Prêmio Nobel da Paz (2010)[24]
Referências
1.↑ El Mundo. Y el delito de Liu Xiaobo es… ‘subversión’.
2.↑ Yahoo! Noticias (23 de dezembro de 2009). El disidente Liu Xiaobo, juzgado por pedir el sufragio universal en China. Página visitada em 27 de dezembro de 2009.
3.↑ El País. China condena a 11 años de cárcel al disidente Liu Xiaobo por pedir reformas democráticas.
4.↑ a b Publico.pt. Nobel da Paz atribuído ao chinês Liu Xiaobo. Página visitada em 8-10-2010.
5.↑ nobelprize.org. The Nobel Peace Prize 2010. Página visitada em 8-10-2010.
6.↑ a b 明报记者陈阳、方德豪. “刘晓波﹕六四损邓历史地位”, 明报, 2008-10-22. Página visitada em 2009-12-26.
7.↑ Asia Watch Committee. Repression in China since June 4, 1989: cumulative data. [S.l.]: Human Rights Watch, 1990.
8.↑ 劉曉波簡歷
9.↑ a b Beijing No. 1 Intermediate Court, Criminal Verdict no. (2009) yi zhong xing chu zi 3901, unofficial English translation in Human Rights in China, “International Community Speaks Out on Liu Xiaobo Verdict,” December 30, 2009.
10.↑ Liu Xiaobo, “劉曉波:勞教 早該被廢除的惡法” (Reeducation-through-labor: An evil law which should be quickly repealed), Observe China, December 6, 2007.
11.↑ Wang Ming, “A Citizen’s Declaration on Freedom of Speech,” China Rights Forum (Spring 1997).
12.↑ Reporters Without Borders, “Fondation de France Prize: Liu Xiaobo Receives Prize for Defence of Press Freedom,” December 21, 2004.
13.↑ 和平獎得主劉曉波小傳, Hong Kong Mingpao
14.↑ “A Chinese Champion of Peace and Freedom”, Project Syndicate, January 18, 2010.
15.↑ “China opposes Nobel for jailed dissident, lawmakers back Liu Xiabo”, phayul.com, February 6, 2010.
16.↑ Agence France Presse, Oct 8 2010, http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5h-cczpx_Ln7Qt5OTGwpm8kMlyKOg?docId=CNG.e4bfcb376f8ac09d47b6d71b8feac4c4.5e1
17.↑ 外交部发言人马朝旭答记者问. Ministry of Foreign Affairs of the People’s Republic of China (2010-10-08). Página visitada em 2010-10-08.
18.↑ “Awarding Liu Xiaobo Nobel peace prize may harm China-Norway relations, says FM spokesman”, 8 October 2010.
19.↑ “China censors Nobel award”, 8 de outubro de 2010.
20.↑ Após visitar marido, mulher de Xiaobo fica sob prisão domiciliar. Correio Braziliense. Página visitada em 11 de outubro de 2010.
21.↑ One World Homo Homini award goes to Chinese dissident,2009年3月12日.
22.↑ “Liu Xiaobo”, Dw-world.de, 29 April 2009. Página visitada em 29 April 2009.
23.↑ Liu Xiaobo De-World, 7 October 2010.
24.↑ LIU XIAOBO’S NOBEL PEACE PRIZE WIN PUTS SPOTLIGHT ON CHINA RIGHTS VIOLATIONS Amnesty International [2010-10-08]


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