Publicado por: blogdamariazinha | 31/05/2010

Uma ótima conversa com Laércio Lucas

Para quem não sabe Laércio Lucas é meu marido. Já há algum tempo estamos os dois aposentados e, graças a Deus, podendo aproveitar com boa qualidade de vida esses anos de tranquilidade que o esforço da vida e a saúde (mais a dele que a minha) nos permitem para, entre outras coisas, colocarmos as conversas em dia.

Laércio foi dentista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo, mas, apesar disso, como intelectual que é, sempre se interessou muito pela área de ciências humanas e sociais. Nas várias viagens que fizemos pelo Brasil e pelo mundo uma preocupação dele sempre foi aprender mais, conhecer locais de relevância histórica e política. Além disso é, até hoje, um leitor compulsivo.

Explico isso para introduzir os dois assuntos que me foram chamados atenção por ele nos últimos dias com a capacidade de análise e concisão que lhe é peculiar. Estou aqui, portanto, sendo apenas uma escrivinhadora para essas ideias bastante interessantes e coerentes por ele apresentadas, com as quais, claro, concordo integralmente.

Foi no século XVIII que surgiu isso que hoje podemos definir como esfera pública ou espaço público. Quando se fala disso o significado é de que apenas a partir dessa época é que a opinião pública passa a ser fonte principal de legitimação política e cultural. Logicamente, isso foi um processo que se iniciou na Europa e ao longo do tempo foi se estendendo pelo mundo. Processo esse, talvez, ainda hoje incompleto em vários países do mundo, mas com sentido geral – apesar de eventuais retrocessos – de avanço.

Friedrich Schiller reconheceu, ainda no século XVIII, o valor da opinião pública.

Para demonstrar isso podemos usar um pequeno texto do dramaturgo alemão Friedrich Schiller ao fugir de Stuttgart depois de ser preso por causa de uma apresentação não-autorizada de sua peça “Os bandoleiros”. “Eu escrevo como um cidadão do mundo que não serve a qualquer príncipe…. O público é, agora, tudo para mim – minha preocupação, meu soberano e meu amigo. Sendo assim eu pertenço a ele somente…”.

Outro aspecto fundamental do século XVIII é o Iluminismo. Que a tudo queria examinar, analisar, que de tudo duvidava. Como afirma Immanuel Kant no Prefácio da Primeira Edição da Crítica da Razão Pura “A nossa época é a época da crítica, à qual tudo tem que submeter-se. A religião, pela sua santidade e a legislação, pela sua majestade, querem igualmente subtrair-se a ela. Mas então suscitam contra elas justificadas suspeitas e não podem aspirar ao sincero respeito, que a razão só concede a quem pode sustentar o seu livre e público exame.”


Kant já afirmava, também no século XVIII, que a “nossa época é a época da crítica”.

Essas questões surgem na esteira dessas atitudes e eventos políticos e político-religiosos que, com claro intuito manipulador, desconhecem a realidade da autonomia da opinião pública e da necessidade permanente de análise crítica da realidade social concreta.

Não serão párocos, bispos, arcebispos, chefes ou líderes políticos que conseguirão impedir o livre e fundamental debate de ideias que uma sociedade moderna como a nossa reclama e precisa.


Responses

  1. SAUDAÇÃO, Maria. EU sou Carolanne, os filhos mais filha de Roger & Ann Griffith de charleston, WV. fazer como se lembram­me? achei o seu Blog hoje! Estou a utilizar o computador para traduzir a minha mensagem para o português. Queira dizer cumprimento de todos os seus familiares! Especialmente a sua maravilhosa marido. Uma mulher no meu gabinete é me ajudará brasileiro e ler a sua mensagem. Por favor me escrevesse! Carolanne


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