Publicado por: blogdamariazinha | 21/04/2010

Mineiros de boa cepa

Tiradentes: a vida por um sonho.

Hoje é um dia de história. Muita história mesmo. História que Minas Gerais se orgulha de contar, e deve mesmo.

Em 1792 era enforcado na cidade do Rio de Janeiro Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Lutador da liberdade pagou com a vida a busca de um sonho.

Foi ele, como outros que tiveram sua pena comutada, condenado pelo crime de “lesa-majestade”. Crime grave que determinava a pena capital com morte cruel. Tiradentes teve a pena comutada de morte cruel (que previa que antes de serem queimados vivos os condenados tivessem vários de seus membros quebrados) para enforcamento seguido de esquartejamento. Isso não era uma morte cruel para a legislação da época.

Como também previsto na legislação além de declararem o réu infame, o foram seus filhos e netos, seus bens confiscados e sua casa foi destruída e a terra salgada para que nada mais crescesse no lugar. Pena hereditária, humilhação familiar e muito mais. Isso eram as consequências do crime de “lesa-majestade” como se vê.

Juscelino: um sonho ainda em vida.

Em 1960 outro mineiro, então já reconhecido como um grande administrador e político hábil, depois de passagens realizadoras pela prefeitura de Belo Horizonte e o governo de Minas Gerais, inaugurava a nova capital do Brasil. Juscelino Kubitschek com seu estilo alegre e ação executiva encantava o país e nos fazia avançar 50 anos em 5. Cumpria o que determinavam todas as constituições republicanas que determinavam a construção de nova capital no centro do país. Desarmava o ambiente político carregado e trazia ao país a expectativa da “era de ouro” pela qual passava o mundo depois da Segunda Guerra Mundial.

Tancredo: um sonho que a vida levou.

Um quarto de século depois, já em 21 de abril de 1985, falecia o presidente Tancredo Neves. Ficou na política mineira e, depois brasileira, por meio século. Em 1935 foi eleito vereador em São João Del-Rei.

Sua trajetória política o colocou em contato, desde novo, com o ambiente carregado da política nacional do período de 1945 a 1964. Era Ministro da Justiça de Getúlio Vargas quando esse se suicidou em 1954. Tentara uma solução negociada. Não foi possível.

Em 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, articulou a solução para a crise entre aqueles que, ilegalmente, queriam impedir a posse de João Goulart, o Jango, e os defensores de sua ascensão ao cargo. Tancredo propôs a solução pacificadora. Parlamentarismo. Foi ele, então, indicado o nosso primeiro Primeiro-Ministro, ficando no cargo de setembro de 1961 a junho de 1962.

Vem a ditadura e Tancredo filia-se ao MDB onde sempre estará presente nas fileiras daqueles que lutavam contra o opressivo regime. Deputado federal por vários mandatos, é eleito senador em 1978 e governador de Minas Gerais, com a retomada das eleições diretas para essa função, no ano de 1982.

Participou da campanha das Diretas Já, em 1983-84, e com a derrota dessa acabou se viabilizando como o candidato das oposições no Colégio Eleitoral. Combatia o candidato do regime, o conhecidíssimo, e já então nada bem visto, Paulo Maluf, e o absenteísmo do Partido dos Trabalhadores, que se negou a votar em Tancredo Neves e expulsou três parlamentares que o fizeram. Mestre da política do possível viabilizou a transição para a democracia, pagando, inclusive, com a vida o seu esforço.

São esses três mineiros que o país hoje, com toda justiça, reverencia pelo seu esforço, capacidades, dedicação e realizações. Obrigado Tiradentes. Obrigado Juscelino. Obrigado Tancredo. Obrigado Minas Gerais.


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